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Juros da dívida permanecem acima de 2,5%

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Juros das Obrigações do Tesouro português no mercado secundário não descem. O mercado da dívida na zona euro está dominado por um movimento altista dos juros, que, na segunda-feira, marcou particularmente Espanha, Itália e França

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields das Obrigações do Tesouro português (OT) no prazo de referência, a 10 anos, não descem do patamar de 2,5% no mercado secundário da dívida na zona euro. Registam 2,54%, um nível similar ao do fecho de segunda-feira.

A situação não é específica de Portugal, nem motivada por factores endógenos ao evoluir dos dados económicos e de contas públicas nacionais. A trajetória é de alta nos restantes periféricos e também em países emissores do centro como a Alemanha e a França. A sessão de segunda-feira foi particularmente marcada por subidas nas yields das obrigações dos membros do euro, com exceção da Grécia.

Na sessão de segunda-feira, o movimento altista foi liderado por Espanha, com as yields das obrigações espanholas, no prazo de referência, a subirem 10 pontos base. Nos casos das obrigações italianas e francesas, a subida das yields foi de nove pontos base. Para as OT, no prazo a 10 anos, a subida das yields registada foi de seis pontos base. Subidas inferiores ocorreram com as yields das obrigações irlandesas e alemãs. A Grécia foi exceção com as yields das obrigações a 10 anos a descerem 11 pontos base, ainda que se mantendo acima de 8%.

O quadro de evolução das yields no mercado secundário da dívida da zona euro alterou-se desde 3 de dezembro, após a reação de “desapontamento” dos investidores em relação ao pacote de mais estímulos monetários lançado pelo Banco Central Europeu (BCE). O pacote foi considerado insuficiente, apesar de prever injectar mais 680 mil milhões de euros no decurso do programa de compra de ativos em curso. Assistiu-se desde essa altura a um movimento altista no conjunto da zona euro. No caso das OT, a 10 anos, as yields subiram de 2,24%, antes do anúncio por Mario Draghi do pacote considerado “insuficiente” pelos mercados financeiros, para o patamar dos 2,5%, mantendo-se desde 3 de dezembro num intervalo entre 2,4% e 2,54%.

Apesar do "descontentamento" com a "insuficiência" do pacote recente, recorde-se que o efeito positivo dos estímulos monetários do BCE nas yields, reduzindo o custo de financiamento da dívida obrigacionista, é evidente. Como sublinhou, recentemente, o Banco de Portugal, no caso das OT a 2 e 10 anos, as yields estariam, em outubro, 2,5 pontos percentuais acima sem a política monetária de "alívio" do BCE. Ou seja, no caso das OT, no prazo de referência, a 10 anos, as yields teriam variado, em outubro, num intervalo entre 4,8 e 5%. A Grécia continua a ser penalizada em virtude da sua dívida obrigacionista continuar a estar excluída do programa de aquisição de dívida pública no mercado secundário pelo BCE, em vigor desde março.