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Bolsa. Europa abre com ganhos. Ásia fecha no vermelho

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YOSHIKAZU TSUNO/AFP/GETTY

No dia em que se inicia a mais importante reunião do ano da Reserva Federal dos EUA, as principais bolsas europeias estão a registar esta terça-feira subidas de mais de 1% na esteira dos ganhos de Wall Street na segunda-feira. Tóquio, Xangai e Hong Kong fecharam com perdas

Jorge Nascimento Rodrigues

Depois de uma segunda-feira no vermelho, as bolsas europeias abriram esta terça-feira em terreno positivo, com as principais bolsas a registarem ganhos acima de 1%. Amesterdão, Frankfurt, Milão e Paris estão a liderar com subidas acima de 1,5%. O índice PSI 20, da Bolsa de Lisboa, está em linha com a tendência europeia, registando ganhos acima de 1,5%, apesar da queda de cotação do Banif continuar na ordem de 12,5%, ainda que possa vir a ocorrer uma reviravolta, em sentido positivo, nesta cotação. A Ásia Pacífico fechou no vermelho mantendo a trajetória negativa do dia anterior.

Na Ásia Pacífico, o índice Nikkei 225 e o TOPIX, na Bolsa de Tóquio, fecharam a cair 1,68% e 1,66% respetivamente. Sidney e Hong Kong fecharam com perdas mais ligeiras, de 0,39% e 0,28% respetivamente. Na China, o encerramento da sessão foi “misto”. O índice composto de Xangai perdeu 0,29% e o similar para Shenzhen ganhou 1,12%. O índice A50 (das cinquenta principais cotadas com ações de tipo A) perdeu 0,99% e o índice CSI 300 (das trezentas principais cotadas nas duas bolsas) recuou 0,46%. Em contrapartida, Seul e Taipé fecharam com ganhos.

O preço do barril de petróleo de Brent abriu a sessão asiática nos 38 dólares e manteve-se sensivelmente nesse nível, cinco cêntimos acima do fecho do dia anterior. Na abertura da sessão europeia, o preço do Brent registava uma trajetória de baixa no patamar dos 37 dólares, mas pelas 8h30 (hora de Portugal) já estava a cotar-se acima de 38 dólares.

Excesso de oferta no mercado petrolífero

O preço do Brent esteve oito sessões consecutivas em baixa. O contexto do mercado do crude continua marcado por um excesso estrutural de oferta que se poderá prolongar até tardiamente em 2016, segundo as previsões pessimistas da Agência Internacional de Energia. Hoje, o BNP Paribas chamou a atenção para o facto que um inverno menos rigoroso no hemisfério norte poderá agravar, ainda mais, o desequilíbrio no mercado do crude, com menos procura sazonal. A agência de notação Moody's anunciou hoje em Londres que reviu em baixa a sua previsão de preço médio do Brent para 2016 de 53 para 43 dólares. Segundo o economista russo Constantin Gurdgiev, mais de 100 milhões de barris de crude e de refinados estão "parqueados" em petroleiros no alto mar. A ideia é manter os petroleiros em alto mar, o tempo que for possível, até que se encontre um mercado com melhores preços, afirmou um operador ao "World Energy News".

O índice da Bloomberg para os preços das matérias-primas perdia 0,49% no fecho da sessão asiática desta terça-feira. Na abertura europeia, a quebra está a desacelerar.

O euro abriu a sessão europeia a valorizar-se face ao dólar, com o câmbio acima de 1,1 dólares. A 3 de dezembro, antes de Mario Draghi anunciar as decisões da última reunião do ano do Banco Central Europeu, o euro valia 1,05 dólares.

À espera da Fed

No dia em que a Reserva Federal norte-americana (Fed), o banco central dos Estados Unidos, inicia a sua reunião mais importante do ano em Washington, os mercados bolsistas estão, por ora, “mistos”. Na Ásia Pacífico predominou o vermelho até ao fecho, enquanto na Europa, na abertura, se registam ganhos na esteira do que acabou por ocorrer na segunda-feira em Wall Street e no Nasdaq, em Nova Iorque.

As bolsas mundiais fecharam na segunda-feira em terreno negativo, mas com perdas ligeiras de 0,34%, segundo o índice MSCI global, em virtude de Nova Iorque ter encerrado a primeira sessão da semana com ganhos de 0,41% face a quebras de mais de 1,5% na Europa e mais de 1% na Ásia Pacífico. As bolsas mundiais fecharam ontem registando seis sessões consecutivas no vermelho. Desde o início de dezembro já perderam 3,8% da sua capitalização.

O sentimento negativo nas bolsas tem sido marcado pela reação ao comportamento dos preços do barril de petróleo e, em geral, das matérias-primas, em quebra. O preço do barril de Brent, a variedade europeia cotada em Londres, desceu na segunda-feira durante a sessão europeia para um mínimo de sete anos registando 36,74 dólares. Em dezembro de 2008 registaram-se níveis similares, ainda que o mínimo da altura se tenha fixado, mais abaixo, em 33,73 dólares a 26 de dezembro. A possibilidade do atual curso de final de ano atingir tais mínimos está a alimentar a volatilidade das bolsas, tanto mais que uma decisão de subida das taxas de juro da Fed poderá provocar o fortalecimento do dólar e, por essa via, uma pressão em baixa no preço do crude que é fixado em dólares.

A probabilidade da Fed anunciar na quarta-feira ao final da tarde (hora de Portugal) uma primeira subida das taxas de juro, depois de sete anos exatos com níveis próximos de 0%, é elevada; situa-se em mais de 81%. A maioria dos analistas antecipa uma subida do atual intervalo, fixado em dezembro de 2008, em 0% a 0,25%, para 0,25% a 0,5%.

  • A bolsa de Lisboa abriu esta terça-feira em terreno positivo, com o PSI20, o índice de referência da praça lisboeta, a subir 0,71%, para os 5.058,62 pontos. Também as restantes Bolsas europeias arrancaram com ganhos acentuados na véspera da reunião da Fed

  • Juros das Obrigações do Tesouro português no mercado secundário não descem. O mercado da dívida na zona euro está dominado por um movimento altista dos juros, que, na segunda-feira, marcou particularmente Espanha, Itália e França