Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Palacete da Nova pode ser a futura sede Aga Khan

  • 333

O palacete foi distinguido com o Prémio Valmor pelo seu valor arquitetónico em 1909. Pertence à Nova desde 1990

ALBERTO FRIAS

A atual sede da Nova Business School está à venda e tem vários interessados, entre os quais o príncipe Aga Khan

Marisa Antunes

Texto

Jornalista

Alberto Frias

Fotos

Fotojornalista

O príncipe Aga Khan está a ponderar a compra do edifício onde funciona a atual sede da Nova School of Business & Economics (SBE), o secular palacete Henrique Mendonça. O edifício está à venda num circuito muito restrito apenas a nível institucional e tem atraído vários interessados, entre cadeias hoteleiras, embaixadas e também o líder espiritual da comunidade ismaelita, soube o Expresso junto de fontes do mercado.

O palacete, Prémio Valmor em 1909 e integrado numa desafogada área verde com três hectares no coração de Lisboa, na Rua Marquês da Fronteira, poderá vir a acolher a residência oficial do príncipe Aga Khan e a sede mundial da comunidade ismaelita, que em Portugal conta com cerca de 10 mil residentes (no mundo são cerca de 15 milhões).

A negociação “ainda está a meio curso”, segundo uma fonte ligada ao processo, mas em cima da mesa estarão valores a variar entre os 13 e os €14 milhões, montante que ainda não está fechado, pois o preço final do imóvel “dependerá da componente do próprio negócio a explorar, do uso que será dado ao edifício”.

O Expresso tentou falar com o professor Daniel Traça, diretor da Nova SBE, e com Nazim Ahmad, representante da rede Aga Khan em Portugal, mas ambos se escusaram a prestar declarações.

Recorde-se que há cinco meses o príncipe Aga Khan esteve em Portugal, onde assinou um acordo com o então ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, onde se comprometia a estabelecer a sua sede global em Portugal e a investir nas áreas da investigação científica e da cooperação para o desenvolvimento. A sede ‘interina’ funciona atualmente em Chantilly, nos arredores de Paris, mas o projeto definitivo para a instalação da sede global está a ser disputado por Lisboa e pela cidade de Ontário, no Canadá, onde está sediado o AKFED, Fundo Aga Khan para o Desenvolvimento Económico.

Na sua passagem por Lisboa, em junho passado, o príncipe Aga Khan adiantou que era intenção da fundação financiar projetos em Portugal nos próximos cinco anos nas áreas da saúde e proteção social, reforçando, aliás, o trabalho que já é desenvolvido pela Fundação Aga Khan, presente no nosso país desde 1983. Nessa altura, Rui Machete congratulava-se com o acordo firmado, lembrando que esta instituição, presente em vários países, tem um orçamento anual entre 600 e €900 milhões para gastar nos seus projetos sociais.

Já do lado da Nova SBE, recorde-se também que a saída do palacete estava prevista desde o anúncio da construção do novo campus localizado junto ao Forte de São Julião da Barra, em Carcavelos. Apresentado publicamente em setembro do ano passado, o projeto de €50 milhões tem como prazo de conclusão o próximo ano, bem a tempo do início do ano letivo 2016/2017.

O palacete da Rua Marquês de Fronteira, agora à venda, “foi projetado entre 1900 e 1902 por Ventura Terra para Henrique de Mendonça, um roceiro em São Tomé. Este edifício ficou terminado em 1909, data em que foi galardoado com o Prémio Valmor”, explica-se na ficha técnica do imóvel no site da Câmara Municipal de Lisboa. No interior merecem destaque o vestíbulo coberto por cúpula envidraçada, “evidenciando uma certa monumentalidade e efeito cenográfico, a partir do qual se desenvolve a escadaria de acesso ao piso nobre”, pode ler-se ainda.

É neste ambiente seleto, rodeado de um pequeno oásis verde que consegue esbater o movimento permanente da Avenida António Augusto de Aguiar, que passam diariamente alunos e docentes de 30 nacionalidades, envolvidos em mestrados, MBA e cursos diversos de liderança, finanças ou gestão.

O espaço pertence à Universidade Nova há 25 anos.