Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

O Algarve precisa de mais residentes

  • 333

SAZONALIDADE. Tem-se agravado no Algarve apesar do crescimento turístico

ana baião

No inverno, o deserto algarvio continua a ser motivo de preocupação, numa região turística marcada pela sazonalidade

Por onde passa o futuro do Algarve e que caminhos deve trilhar para combater a sazonalidade? Foi o tema de um painel em destaque no congresso da Associação das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), que decorreu na Herdade dos Salgados, em Armação de Pera, de 3 a 6 de dezembro. Deste congresso, o principal do turismo português, não saiu uma solução mágica para o deserto algarvio, mas foram lançadas várias propostas e pontos de reflexão sobre a região que é o principal cartão de visita turístico do país.

“Temos um Algarve com uma hotelaria muito assente em quatro meses. Este Algarve tem 17 milhões de dormidas por ano, e em janeiro apenas 300 mil”, começou por frisar Desidério Silva, presidente da Região de Turismo do Algarve.

SOL E PRAIA. O turismo de praia continua a ser o principal produto turístico do Algarve

SOL E PRAIA. O turismo de praia continua a ser o principal produto turístico do Algarve

JOSÉ CARIA

Apesar de o turismo no Algarve estar “num momento alto da sua história”, com o volume de receitas e de dormidas a subir graças ao aumento de visitantes, sobretudo estrangeiros, Desidério Silva frisa que não se pode “descansar” e chama a atenção para problemas da região que derivam da sazonalidade.

Segundo o presidente da região de turismo, os problemas estruturais do Algarve são muitas vezes esquecidos pelo poder político, tendo em conta que o seu meio milhão de residentes, cerca de 0,5% da população nacional, “não fazem mossa” quando se trata de discussão pública.

ESTRANGEIROS. A sazonalidade que afeta o Algarve está a crescer três vezes mais junto dos turistas nacionais que dos externos

ESTRANGEIROS. A sazonalidade que afeta o Algarve está a crescer três vezes mais junto dos turistas nacionais que dos externos

JOSÉ CARLOS CARVALHO

À nova secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, que estava presente no congresso da APAVT, o presidente da região de Turismo do Algarve deixou um apelo especial, no sentido de “valorizar o turismo e as entidades que o suportam”.

A perspetiva de baixar o IVA na restauração avançada pelo Governo de António Costa deve também, segundo Desidério Silva, “ser alargada ao golfe”. “É um produto estratégico na nossa região e onde temos um diferencial de 6% no IVA face aos espanhóis, os nossos principais concorrentes”, justificou.

ECONOMIA. O turismo tem ajudado outros sectores a crescer, como a restauração e o golfe

ECONOMIA. O turismo tem ajudado outros sectores a crescer, como a restauração e o golfe

PAULO VAZ HENRIQUES

“Temos de ter a capacidade de atrair mais residentes ao Algarve”, sustentou Carlos Costa, administrador executivo da cadeia hoteleira Nau, que integra a Herdade dos Salgados, frisando que “a sazonalidade acaba por ser uma realidade objetiva que se tem agravado nos últimos anos”, e que se traduz no fecho dos hotéis no inverno e na precariedade do trabalho na região. “Precisamos de mais empresas, e não só de turismo. Precisamos de massa crítica no Algarve”, concluiu Carlos Costa.

HOTÉIS FECHADOS. A Herdade dos Salgados tem combatido a tendência de fecho no inverno atraindo iniciativas na área automóvel

HOTÉIS FECHADOS. A Herdade dos Salgados tem combatido a tendência de fecho no inverno atraindo iniciativas na área automóvel

ana baião

O presidente da região de Turismo do Algarve enfatiza que há questões fundamentais a resolver na região, como a requalificação da estrada nacional 125, as portagens eletrónicas na via do Infante, que têm dificultado de forma grave o acesso por estrada, sobretudo para os espanhóis, além do ordenamento da orla costeira. Lembrando que “o turismo ajuda outros sectores a crescer”, Desidério Silva defende: “A base deste trabalho implica trabalharmos todos em rede, o que também é um problema complicado no Algarve, cada um trabalha por si e é difícil encontrar soluções em conjunto.”

ATRAIR JOVENS. O destino precisa de se reinventar e atualizar a promoção a pensar nas próximas gerações, defende o sector

ATRAIR JOVENS. O destino precisa de se reinventar e atualizar a promoção a pensar nas próximas gerações, defende o sector

ana baião

A própria marca Algarve precisa de se atualizar e reinventar “até para as próximas gerações”, e arranjar formas de potenciar a sua notoriedade estendendo o seu nome à indústria automóvel e outras marcas de grande consumo, sustentou Mário Candeias, diretor de operações do grupo Pestana. “Tal como há um Seat Ibiza ou um Seat Malaga, podia haver um carro com o nome do Algarve. Ou então pensar em criar um gelado com a marca, um 'cornetto Algarve', coisas deste género”.

Aos que criticam o turismo do Algarve por ser muito monotemático, centrado na praia, e defendem que se deve apostar num turismo alternativo na região, o responsável do grupo Pestana deixou um aviso: “É melhor amarmos todos o sol e praia, sem ele nem sequer existíamos como destino turístico.”