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Dívida. Prémio de risco subiu e rentabilidade está negativa

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O risco da dívida portuguesa subiu 13 pontos base esta semana. A trajetória altista foi geral aos periféricos, com exceção da Irlanda. Rentabilidade da dívida portuguesa e dos periféricos está negativa em dezembro

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields das Obrigações do Tesouro português no prazo de referência, a 10 anos, desceram no mercado secundário apenas 1 ponto base na semana. Fecharam na sexta-feira em 2,48%. A 4 de dezembro haviam registado 2,49%, Ou seja, a situação do custo de financiamento da nossa dívida de longo prazo está praticamente sem alteração.

No entanto, se olharmos para o prémio de risco da dívida portuguesa, a situação agravou-se esta semana. O risco país subiu 13 pontos base em relação a uma semana atrás, fechando na sexta-feira em 194 pontos base, o equivalente a um diferencial de 1,94 pontos percentuais em relação ao custo de financiamento da dívida alemã.

A subida não é exclusiva portuguesa, nem se prende a factores internos. A tendência altista nos prémios de risco durante a semana foi generalizada a todos os periféricos, com exceção da Irlanda, cujo risco desceu 1 ponto base em relação a 4 de dezembro, estando em 49 pontos base, menos de meio ponto percentual em relação à referência alemã. A maior subida semanal do prémio de risco registou-se para a Grécia, cujo risco aumentou 48 pontos base, estando, atualmente, em 803 pontos base, mais de 8 pontos percentuais acima da referência alemã. O prémio de risco subiu 5 pontos base para Espanha e 4 pontos base para Itália.

A par da subida do risco, a rentabilidade da dívida soberana degradou-se em dezembro, estando em terreno negativo para o conjunto da dívida da zona euro, registando -0,4%, segundo o índice da Bloomberg. No caso da Grécia, a rentabilidade da dívida obrigacionista desde início de dezembro é de -6,06%, a pior situação entre os periféricos. No caso de Portugal, a rentabilidade em dezembro está em –0,68%.

Contudo no horizonte dos últimos doze meses, o retorno das dívidas soberanas na zona euro ainda está em terreno positivo, segundo o mesmo índice da Bloomberg. A rentabilidade, a 52 semanas, é de 2,36% para o conjunto da zona euro, 1,92% para a dívida alemã, 14,64% para a dívida grega (classificada como altamente especulativa pelas três principais agências de notação), 6,36% para a italiana, 5,54% para a portuguesa (considerada especulativa), 3,85% para a espanhola e 2,17% para a irlandesa.

Factores negativos: 'desapontamento' com Draghi e crash do preço do petróleo

Vários fatores têm estado a influenciar o desempenho da dívida soberana na zona euro. Na semana passada, verificou-se o “desapontamento” dos mercados financeiros com o pacote de estímulos monetários do Banco Central Europeu (BCE) anunciado a 3 de dezembro. O choque levou a uma queda de 1,5% no índice da Bloomberg para a rentabilidade da dívida soberana do conjunto da zona euro nesse dia. Contudo, sem a política de estímulos do BCE, nomeadamente sem a compra de dívida obrigacionista no mercado secundário desde março, as yields da dívida portuguesa estariam muito mais altas. O Banco de Portugal estima que, em outubro, estariam 2,5 pontos percentuais mais elevadas, segundo o Boletim Económico de Dezembro. Ou seja, numa variação entre 2,4% e 2,5% registada em outubro para o prazo a 10 anos, sem a ajuda do BCE, as yields estariam entre 4,9% e 5%.

Esta semana, a derrocada do preço do Brent (em mais de 12%) e do conjunto das matérias-primas alimenta o aumento dos riscos de desinflação e de deflação na zona euro, o que tem um impacto negativo nas expetativas sobre o desempenho da política monetária da equipa de Mario Draghi. Apesar das taxas de juro do banco central perto de 0% e dos vários programas de compras de ativos que, no final de novembro, já somavam mais de 600 mil milhões de euros, instala-se a dúvida se o BCE conseguirá fazer subir a inflação em direção à meta de médio prazo.

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