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Maré vermelha na Europa e EUA a fechar a semana. Crash no preço do Brent

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Wall Street fechou a cair mais de 1,5% e o Nasdaq perdeu mais de 2%. Na Europa, o Eurostoxx 50 recuou 1,88%. Amesterdão, Frankfurt, Nórdicos, Varsóvia e Londres perdem mais de 2%. PSI 20 caiu 1,66%. Preço do barril de Brent desceu mais de 5% e está em mínimo de sete anos

Jorge Nascimento Rodrigues

Os dois lados do Atlântico Norte encerraram a última sessão da semana no vermelho. O índice global MSCI, para as bolsas mundiais, fechou esta sexta-feira a cair 1,6%, a maior queda diária desde início de dezembro.

As bolsas de Nova Iorque fecharam com perdas esta sexta-feira, com o índice MSCI para os Estados Unidos a cair 1,94%, a maior queda diária entre as três "regiões" (Ásia Pacífico, Europa e EUA). Em Wall Street, os índices Dow Jones 30 e S&P 500 caíram 1,76% e 1,94% respetivamente. O índice Nasdaq das tecnológicas perdeu 2,21%. No DJ 30, a maior queda registou-se com a DuPont, que perdeu 5,51%, no dia em que anunciou um plano de fusão com a Dow Chemical.

Na Europa, o índice Eurostoxx 50 (das cinquenta principais cotadas da zona euro) recuou 1,88%, com o Deutsche Bank a liderar as quedas registando uma quebra de 4,43%. Fecharam com perdas acima de 2% as bolsas de Helsínquia (com o índice OMX 25 a recuar 2,95%), Copenhaga, Frankfurt (o Dax perdeu 2,44%), Varsóvia, Estocolmo, Londres e Amesterdão. O índice PSI 20, da Bolsa de Lisboa, perdeu 1,66%, com o BPI a registar uma queda superior a 4,6%. O índice MSCI para a Europa perdeu 1,58%.

A volatilidade fez-se sentir esta semana. Os índices VIX, conhecidos por "índices de pânico", subiram 56% no caso do CBOE norte-americano e 17% no caso do relacionado com o índice europeu Eurostoxx 5. No entanto, fecharam a semana em níveis ainda distantes dos máximos durante a crise de agosto com a derrocada bolsista chinesa. O VIX relacionado com o Eurostoxx subiu de 21 euros na segunda-feira para um pico de 27 durante a sessão de sexta-feira, tendo fechado em 26,58. Durante a crise de agosto, chegou a 41 euros.

Brent em mínimo de sete anos

O dia ficou marcado por um crash no preço do barril de Brent que caiu mais de 5%, uma queda similar à ocorrida a 7 de dezembro, na segunda-feira seguinte à decisão da cimeira da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) em não cortar o teto diário oficial de produção e permitir a atual produção que está acima desse limiar em quase 2 milhões de barris por dia. Esta sexta-feira, a Agência Internacional de Energia veio confirmar que o mercado petrolífero se manterá com um excedente na oferta até finais de 2016, o que continuará a pressionar em baixa os preços.

O preço do Brent desceu para 37,48 dólares pelas 17h (hora de Portugal) e cotava-se em 37,71 dólares pelas 22h. Preços no patamar dos 37 dólares são mínimos desde dezembro de 2008. Entre 22 e 31 de dezembro daquele ano, o preço do barril variou entre um mínimo de 33,73 dólares no dia 26 e um máximo de 38 dólares no dia 22.

Nos futuros do Brent em Londres, um preço do barril acima de 50 dólares só surge em dezembro de 2017.

A derrocada nos preços das matérias-primas continuou esta semana, com o índice da Bloomberg a cair 4%, o da Reuters CRB a descer 4,65% e o S&P GSCI a perder 6,76%, no período entre 7 e 11 de dezembro.

O acontecimento decisivo na próxima semana decorrerá em Washington a 15 e 16 de dezembro na Reserva Federal norte-americana (Fed) que realiza a sua última reunião do ano em que poderá decidir iniciar um processo de subida de taxas de juro. Em virtude da turbulência a que se assistiu durante esta semana, a probabilidade de tal opção ser efetivamente tomada desceu de 87% no dia 9 para 79% durante a sessão desta sexta-feira para fechar em 81%, segundo os futuros das taxas de juro da Fed no observatório da CME.

A derrocada do preço do petróleo, e o seu impacto negativo nas taxas de inflação que estão em níveis baixos nas economias desenvolvidas, e a desvalorização da moeda chinesa em 0,9% face ao dólar ao longo da semana trouxeram novos elementos de incerteza.