Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Bolsas. Ásia fecha 'mista' com China em foco. Europa abre no vermelho

  • 333

Com a vaga de 'desaparecimentos' de empresários e financeiros na China e face à trajetória de desvalorização do yuan, as bolsas de Hong Kong, Taipé e Xangai caíram. Tóquio escapa com ganhos. Amesterdão lidera quedas na Europa. PSI 20 abre a perder 0,17%

Jorge Nascimento Rodrigues

A região da Ásia Pacífico fechou 'mista' esta sexta-feira, depois de ter perdido 0,26% na quinta-feira, segundo o índice MSCI respetivo. Tóquio encerrou a sessão asiática com ganhos, mas todas as restantes principais bolsas fecharam com perdas, com destaque para Hong Kong e Taipé, cujos principais índices perderam mais de 1%.

A Europa abriu esta sexta-feira em terreno negativo depois de, no dia anterior, ter fechado a perder 0,52%, segundo o índice MSCI para a região. O índice PSI 20 da Bolsa de Lisboa abriu em linha com a tendência negativa europeia na abertura da última sessão da semana. Nesta abertura da sessão europeia, a Bolsa de Amesterdão está a liderar as quedas nas principais praças financeiras europeias.

O preço do barril de petróleo da variedade Brent fechou a sessão asiática e abriu a sessão europeia a subir ligeiramente em relação ao fecho de quinta-feira, pela primeira vez, abaixo de 40 dólares, o que já não se registava desde fevereiro de 2009.

Na Ásia, os índices da segunda maior bolsa do mundo fecharam em terreno positivo com o Nikkei 225 a subir 0,97% e o TOPIX a avançar 0,59%.

Nas economias de língua chinesa, a maré foi vermelha. O índice geral de Taiwan liderou as quedas com um recuo de 1,22%, seguindo-se o índice Hang Seng, de Hong Kong, que perdeu 1,1%. Na China, o índice composto de Xangai perdeu 0,61% e o índice similar para Shenzhen caiu 0,72%. O índice CSI 300 (das trezentas principais cotadas nas duas bolsas chinesas) recuou 0,41% e o índice A 50 (das cinquenta principais cotadas com ações de tipo A) caiu 0,52%. O ASX 200 de Sidney recuou 0,16% e o KOSPI da Bolsa de Seul perdeu 0,18%.

Ásia à espera da Fed

A Ásia prepara-se, agora, para o impacto da decisão da Reserva Federal norte-americana (Fed) na próxima semana. A 16 de dezembro, a equipa presidida por Janet Yellen revelará se optou ou não por iniciar o processo de subida da taxa diretora de juros que se encontra a variar num intervalo entre 0% e 0,25% desde 16 de dezembro de 2008 no auge da crise financeira. A probabilidade de que o processo de subida seja iniciado exatamente sete anos depois é de 85%, segundo a variação dos futuros das taxas de juro da Fed,acompanhada pelo observatório da CME.

O governador do Banco da Reserva da Índia (RBI) disse que o banco central deste BRIC está preparado “para qualquer eventualidade”. O académico Raghuram Rajan afirmou esta sexta-feira em Kolkata, depois da reunião do RBI, que espera que a Fed suba o intervalo da taxa de juros em 25 pontos base.

'Desaparecimentos' e desvalorização do yuan

A China esteve em foco esta sexta-feira nos mercados financeiros asiáticos por duas razões. Primeiro em virtude da vaga de 'desaparecimentos' de líderes empresariais e financeiros, privados e de entidades estatais, estar a ganhar projeção internacional no âmbito do que as autoridades de Pequim designam por combate à corrupção. O caso mais recente envolve o cofundador do conglomerado privado Fosun, que detém, em Portugal, a Fidelidade e os Hospitais da Luz. Até à data, a vaga já soma mais de três dezenas de altos quadros que 'desapareceram' ou foram acusados formalmente de crimes no âmbito da campanha.

Em segundo lugar, a moeda chinesa continua a depreciar-se face ao dólar. Esta sexta-feira, a cotação caiu para o nível de julho de 2011. Depois de ter atingido em janeiro de 2014 o ponto mais alto do ciclo de valorização do yuan nos últimos dez anos, com o dólar a valer perto de 6 yuan, a trajetória da moeda chinesa tem sido de depreciação. O câmbio do dólar registou 6,45254 yuan no fecho da sessão asiática desta sexta-feira. Desde o final de novembro, o yuan já desvalorizou 0,9% face ao dólar. Face ao euro, no mesmo período, a depreciação da moeda chinesa já regista 4,6%, com a moeda única a valer um pouco mais de 7 yuan. Um salto na valorização da moeda da zona euro face ao yuan registou-se durante a sessão europeia de 3 de dezembro, no dia em que o Banco Central Europeu anunciou o pacote de estímulos monetários adicionais.