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Atenas acusa FMI de atrapalhar resgate

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Christine Lagarde lidera o FMI

PAUL J. RICHARDS/Getty

Alexis Tsipras critica a organização de Christine Lagarde por não ter um comportamento “construtivo” ao colocar exigências “irrealistas” tanto ao governo grego como aos credores oficiais europeus

Jorge Nascimento Rodrigues

“O Fundo [Monetário Internacional] tem de decidir se quer fazer compromissos, se pretende manter-se no programa [de resgate]. Se não o pretende, deve dizê-lo publicamente”, disse Alexis Tsipras numa longa entrevista ao canal público ETR na segunda-feira. O primeiro-ministro grego acusou a organização chefiada por Christine Lagarde de não estar a ter um papel “construtivo” na fase atual do terceiro resgate.

O problema é que o Fundo Monetário Internacional (FMI) continua a colocar “exigências irrealistas” tanto ao governo grego como aos credores oficiais europeus, disse o primeiro-ministro helénico. À Grécia coloca alterações no sistema de reformas e na liberalização do mercado laboral que sabe não serem aceitáveis pelo parlamento grego e aos parceiros europeus “exige soluções e propostas sobre sustentabilidade da dívida que sabe que os nossos parceiros [europeus] não podem aceitar”.

O FMI não desembolsou mais nenhuma tranche desde agosto de 2014 e o seu envolvimento formal no segundo resgate só termina em março, altura em que poderá aceitar ou não um novo pedido de financiamento por parte da Grécia, agora como adicional ao terceiro resgate já em curso por parte dos credores oficiais europeus.

O FMI tem afirmado que um novo envolvimento financeiro na Grécia tem de garantir a sustentabilidade da dívida que, no entender dos técnicos de Washington, tem de basear-se em duas “pernas”, amplas reformas estruturais por parte de Atenas e um alívio substancial de dívida por parte dos credores oficiais europeus (países da zona euro envolvidos em empréstimos bilaterais, obrigações gregas em carteira no Banco Central Europeu e o grosso dos resgates feito pelos fundos europeus).

Plano de renegociação até março

O governo grego já manifestou o interesse em discutir a questão da renegociação da dívida – a partir dos moldes que alguns credores oficiais europeus têm afirmado aceitar, sem implicar um corte nominal – depois de fechado o primeiro exame ao andamento do terceiro resgate, que deverá concluir-se já no início do próximo ano.

O ministro das Finanças, Euclid Tsakalotos, disse, a 30 de novembro, na 26ª Conferência sobre a Economia Grega organizada pela Câmara de Comércio Helénico-Americana, que o objetivo do governo é concluir até março o plano de recapitalização bancária, o primeiro exame ao andamento do terceiro resgate e a renegociação da dívida pública que deverá atingir 180% do PIB este ano e chegar a 188% no final de 2016.

Até final desta semana, o governo tem de fazer passar no Parlamento um novo plano de 13 ações prioritárias exigidas pelo Eurogrupo para poder receber uma subtranche de mil milhões de euros no quadro do pacote inicial do terceiro resgate. A maioria absoluta no Parlamento encurtou-se, na última votação do primeiro lote de medidas, para 153 deputados, o que tem alimentado incerteza política.

Recapitalização bancária exige menos fundos do resgate

Entretanto, o presidente do Eurogrupo, o holandês Jeroen Dijsselbloem, afirmou que o plano de recapitalização da banca helénica recorrendo aos fundos do terceiro resgate apenas exige 5,5 mil milhões de euros, a larga distância dos 25 mil milhões de euros inicialmente calculados, e abaixo dos 10 mil milhões de euros colocados à disposição numa primeira fase do resgate. S recapitalização da banca tem sido conseguida através do “envolvimento dos investidores privados”, sublinhou o presidente do Eurogrupo.

Fruto da incerteza política sobre a estabilidade da maioria absoluta no Parlamento helénico e da indefinição sobre a conclusão do primeiro exame e envolvimento futuro do FMI, as yields das obrigações gregas a 10 anos, depois de um mínimo do ano em 6,9% a 17 de novembro, têm vindo a subir, já tendo registado 8,92% esta segunda-feira de manhã.