Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Wall Street abre no vermelho. Brent em mínimos desde fevereiro de 2009

  • 333

O contraste é forte entre os dois lados do Atlântico Norte. Índices bolsistas em Nova Iorque abrem com perdas. Europa regista ganhos nas principais praças financeiras, com índice Dax alemão a subir 2%. PSI 20 na linha de água com tendência para cair. Preço do barril de Brent fixa novo mínimo do ano em 41,79 dólares

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas de Nova Iorque abriram em terreno negativo esta segunda-feira. Wall Street iniciou a sessão pelas 14h30 (hora de Portugal) com o Dow Jones 30 a cair 0,23% e o S&P 500 a recuar 0,24%. Na bolsa tecnológica de Times Square, o Nasdaq perdia ligeiramente 0,06%.

A trajetória de abertura além-Atlântico é negativa face a uma Europa que, na sessão da tarde, continua a registar ganhos na maioria das bolsas, com o índice Dax de Frankfurt a liderar as subidas com 2% e o Eurostoxx 50 (das cinquenta principais cotadas da zona euro) a avançar 1,6%. O PSI 20, da Bolsa de Lisboa, não tem ainda trajetória definida, registando oscilações acima e abaixo da linha de água.

No vermelho, estavam as bolsas de Viena, Budapeste, Nicósia e Praga, na União Europeia. A bolsa de Moscovo liderava perdas no continente com os índices MICEX e RTSI a cairem 0,87% e 1,97%. As bolsas de Lisboa, Londres e Madrid, devido às oscilações, poderão entrar no vermelho na ponta final da sessão da tarde.

Brent em mínimos do ano

O preço do barril de Brent fixou um novo mínimo do ano em 41,79 dólares pelas 14h05 (hora de Portugal) e, na abertura da sessão norte-americana, registava 42,09 dólares.

São níveis de preços do barril que já não se registavam desde fevereiro de 2009. Entre o início de dezembro de 2008 e o final de fevereiro de 2009, o preço do Brent registou preços entre 40 e 42 dólares em muitas sessões diárias. A 26 de dezembro de 2008 atingiu um mínimo de 33,73 dólares e em várias sessões de dezembro daquele ano e em algumas de janeiro e fevereiro do ano seguinte esteve abaixo de 40 dólares.

Com a decisão de não cortar o limite de produção e de, pelo contrário, sancionar o atual nível médio de produção diária do cartel superior ao anterior teto oficial em 1 milhão e 500 mil barris, a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) reforçou na cimeira de sexta-feira a situação de sobreprodução global de crude. Um quadro que pressiona em baixa o preço do barril.

"O excesso de produção global cifra-se atualmente entre 1,8 e 2 milhões de barris diários e há a franca possibilidade do Irão adicionar mais 500 mil barris por dia nos primeiros seis meses de 2016", sublinha Tom Whipple, editor da "Peak Oil Review".

Esta trajetória de quebra continuada de preços é muito negativa para as economias exportadoras líquidas de crude e pouco diversificadas, altamente dependentes em termos orçamentais das receitas do ouro negro, e para as petro-divisas de economias desenvolvidas e emergentes.

A pressão de preços baixos nesta componente dos índices de preços no consumidor pressiona no sentido da desinflação (redução da taxa de inflação) ou mesmo da deflação (inflação negativa), o que atrapalha as metas dos principais bancos centrais (nomeadamente do Banco Central Europeu que estima uma inflação de 0,1% em 2015).

  • Xangai, Shenzhen e Tóquio encerram sessão de segunda-feira com subidas dos índices bolsistas, depois de uma semana anterior com perdas na Ásia Pacífico. Europa inicia sessão com Frankfurt a liderar ganhos. PSI 20 abre em linha com Europa. Preço do barril de Brent desceu para 42,77 dólares no fecho da Ásia