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Juros da dívida a descer na zona euro. Juros das OT abaixo de 2,5%

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Depois de um pico de 2,51% na quinta-feira passada fruto do desencanto com o pacote de estímulos do BCE, os juros das Obrigações do Tesouro português (OT) a 10 anos abriram a semana a descer para 2,47%, em dia de reunião do Eurogrupo que vai examinar Grécia, Irlanda e Portugal

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields das Obrigações do Tesouro português (OT) no prazo de referência, a 10 anos, abriram, esta segunda-feira, no mercado secundário da dívida na zona euro, a descer para 2,47%, três pontos base de redução em relação ao fecho da semana passada.

Com o desencanto face ao pacote de novos estímulos monetários anunciado pelo Banco Central Europeu (BCE) na quinta-feira passada, as yields das OT, naquele prazo, chegaram a subir, naquele dia, para 2,51%, invertendo a trajetória de descida para um mínimo de sete meses.

Depois do impacto negativo na quinta-feira, as yields voltaram a uma trajetória de descida tendo fechado a semana passada em 2,5%. Apesar do "rombo" que provocou no mercado obrigacionista o desapontamento com o pacote do BCE, a reação negativa começou a abrandar depois do presidente Mario Draghi ter chamado a atenção dos investidores, no Clube Económico de Nova Iorque, para a dimensão do pacote (mais 680 mil milhões de euros no prolongamento por seis meses da data indicativa de conclusão do programa de compra de ativos e no reinvestimento aquando da maturidade das obrigações que detem) e para o carácter "ilimitado" do programa de estímulos monetários.

Depois das palavras de Draghi na sexta-feira nos EUA, o "sentimento" dos investidores, segundo os analistas, é que o BCE tudo fará para minimizar os riscos derivados da divergência de políticas monetárias a partir de 16 de dezembro entre a Reseva Federal norte-americana (que deverá iniciar um processo de subida das taxas de juro, o último pilar que restava do programa de estímulos iniciado em dezembro de 2008) e o banco central da moeda única europeia que se mantém numa rota de mais estímulos monetários (incluindo um agravamento, a partir de 9 de dezembro, para -0,3% da taxa de remuneração de depositos dos bancos comerciais da zona euro nos cofres do BCE).

A trajetória de descida na abertura do mercado secundário nesta segunda-feira abrange toda a zona euro, incluindo a Grécia (que, no entanto, continua com yields no prazo a 10 anos superiores a 8%).

O Eurogrupo – órgão dos ministros das Finanças da zona euro – reúne-se esta segunda-feira para fazer o “exame” da situação na Grécia, Irlanda e Portugal. Na Grécia, será apreciado o andamento da negociação do segundo pacote de medidas que terá de ser aprovado pelo Parlamento helénico até 11 de dezembro, próxima sexta-feira, num quadro em que o governo de coligação chefiado por Alexis Tsipras encurtou a sua maioria absoluta de apoio no hemiciclo de deputados. Sobre a Irlanda será apreciado o relatório de supervisão do andamento pós-saída da troika e o ministro das Finanças Mario Centeno, do novo governo em Portugal, participará, pela primeira vez, nesta reunião.

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