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“Só não dizemos que somos uma multinacional porque o meu avô não quer”

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Presente em 35 países, o grupo Delta está agora no Dubai

Luis Barra

Acaba de ser colocada mais uma bandeira no mapa-mundo da Delta. A marca portuguesa de cafés entra em mais um mercado: depois da China, é a vez do Dubai a partir de janeiro

Apesar de estar presente em 35 países, o grupo não se assume como multinacional: “O meu avô não gosta do termo porque está associado a impessoalidade. Somos uma empresa de pessoas, para pessoas”, afirma Rui Miguel Nabeiro, administrador da Delta, neto de Rui Nabeiro, que fundou em 1961 o grupo que já faz 30% das receitas anuais no exterior. Esta fatia só não aumenta mais porque o mercado luso teima em crescer. Expectante relativamente às políticas a serem implementadas pelo novo Governo socialista, o gestor explica como o grupo se transformou durante a crise, à custa do crescimento da Delta Q. A marca já vendeu 1000 milhões de cápsulas e, em novembro, atingiu a meta do primeiro milhão de máquinas de café vendidas.

A recuperação económica em Portugal tem-se refletido no aumento do consumo de café?

As pessoas estão a beber mais café do que bebiam. O que aconteceu durante o período mais complicado da crise foi que o consumo se transferiu para o lar. Com a oferta de produtos para este segmento, através da marca Delta Q, capitalizámos esse efeito. Perdemos vendas na restauração, mas, na verdade, não perdemos vendas: estas foram transferidas para o lar. O que vemos agora é que, não tendo perdido consumo no lar, a restauração entrou num processo de retoma. Mas houve muitas casas a fechar.

Acredita que a tendência de crescimento se vai manter?

Espero que o ritmo se mantenha, mas vai depender das decisões políticas.

Está preocupado com a recente reviravolta política e a tomada de posse de um Governo PS, com a apoio dos partidos mais à esquerda?

Não diria preocupado, mas expectante. Quem acrescenta valor a uma economia são as empresas privadas, que são o maior empregador em Portugal. Preocupa-me é que haja um menor enfoque das empresas privadas para um consumo baseado no sector público.

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