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Seguro de vida: Uma bomba-relógio?

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Tiago Miranda

Vem aí uma grande surpresa para todos os que compraram casa sem fazerem as contas a quanto vão pagar de seguro de vida, à medida que vão ficando mais velhos

Pedro Andersson/ SIC

Tenho 42 anos, comprei casa em 2007, na altura dos spreads quase grátis e em época de vacas gordas. Como milhares de outros portugueses, assinei de cruz tudo o que me puseram à frente. Só com a crise é que comecei a ler linha a linha o que tinha assinado. Para mim, o seguro de vida (associado ao crédito à habitação) era apenas uma condição necessária para ter acesso ao empréstimo. Eu era “novo”, o seguro de vida parecia um “mal menor” e, sendo obrigatório, até dava segurança à família.

De facto, ter um seguro de vida no valor do empréstimo é uma segurança familiar que todos devem ter. Pode evitar muitos dramas sociais e deixa-nos, nesse aspeto, um pouco mais descansados em relação à nossa família, caso ocorra uma fatalidade.

Do que eu não estava à espera - e creio que poucos sabem - é que o montante do seguro de vida, que quando somos novos é um valor relativamente baixo e comportável, à medida que o tempo passa vai começar a sufocar o seu orçamento. Tem a ver com a idade: como ficamos mais velhos, o risco de morte aumenta, e isso vai refletir-se no prémio a pagar.

Pedi uma simulação ao meu banco para saber quanto vou pagar de empréstimo e de seguro de vida, ano a ano, até ao fim do meu contrato. Como ainda me falta pagar durante 30 anos, apanhei um valente susto. Nos últimos 14 anos estarei a pagar de seguro de vida, progressivamente, mais do que de empréstimo ao banco. Nos últimos 10 anos poderei estar a pagar cerca de 400 euros de seguro de vida por mês, para duas pessoas.

Cada caso é um caso. Depende, obviamente, do seu spread, do prazo, do valor em dívida, se pagará uma última prestação avultada, se tem um seguro de vida ITP ou IAD, se é de 50% ou 100%, etc. Só há uma maneira de saber com o que deve contar: peça ao seu gestor de conta uma simulação de quanto vai pagar de prestação e de seguro de vida, ano a ano, até ao fim do seu contrato de empréstimo à habitação (veja o quadro ao lado, ou no separador “E ainda” se estiver a usar telemóvel).

Espero que não tenha uma surpresa desagradável, como eu. Estando a pagar neste momento menos de 400 euros de mensalidade e de seguro de vida (na soma dos dois), nos últimos anos do contrato estarei a pagar uma mensalidade de mais de 800 euros (crédito+seguro de vida). E isto, se a Euribor não subir entretanto. E claro que isso vai acontecer, está negativa neste momento...

Desculpem se lhes trago más notícias. Já ouvi amigos dizer que preferem não saber. Eu acho que é sempre melhor saber do que ser apanhado de surpresa. Mas admito outras opiniões. O seguro pode ter morrido de velho, mas que é muito caro, é.