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Concorrência dá luz verde à venda da CP Carga

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Os suíços da MCS Rail, que tinham assinado o contrato de compra da CP Carga, aguardavam a decisão da Autoridade da Concorrência para concluírem este processo. Com a autorização da Concorrência, a CP Carga passa a estar integrada no grupo da multinacional suíça MSC

A CP tinha concluído em setembro a participação no processo de privatização da CP Carga - a unidade de transporte ferroviário de mercadorias que pertencia ao grupo estatal português -, na altura em que assinou um contrato SPA (Sales and Purchase Agreement) com o vencedor deste concurso, o operador MSC Rail, pertencente ao grupo global suíço MSC. A conclusão deste processo estava dependente da autorização da Autoridade da Concorrência, que agora foi formalmente comunicada às partes envolvidas, soube o Expresso.

Desde a reportagem que o Expresso fez em Sines sobre a chegada do maior navio porta-contentores do mundo ao porto alentejano, o MSC Zoe, o responsável português da empresa suíça MSC, Carlos Vasconcelos, admitiu que o seu grupo de transportes - principal responsável pelo crescimento da operação do terminal de contentores de Sines concessionado à PSA de Singapura - precisava urgentemente de ter uma empresa de transporte ferroviário que transportasse as mercadorias descarregadas nos vários portos ibéricos que opera.

Carlos Vasconcelos - antes da conclusão da privatização da CP Carga - já admitia que a estratégia da MSC incluía a urgente compra, ou desenvolvimento de uma empresa ferroviária de raiz, que pudesse usar para agilizar a deslocação das mercadorias descarregadas nos portos, até às unidades logísticas que iam construir e operar no território ibérico, que ficassem mais perto dos seus clientes finais.

Ganha a privatização da CP Carga, a MSC Rail tem como objetivo a mudança do seu nome e a rápida recapitalização da CP carga, bem como a modernização do seu equipamento. Para já, os suíços tinham como intenção aplicar 51 milhões de euros numa primeira fase. Outras fases se seguirão, até conseguirem que a CP carga - com a futura designação - se torne na lider ibérica do transporte ferroviário de mercadorias.

Em vez de optarem por uma estratégia gradual, a primeira fase concentrará a totalidade do investimento identificado como sendo o necessário para fortalecer a atividade da CP Carga, que deverá ser feita - como se diz na gíria do setor - em "one-shot".

O passivo da CP Carga - cerca de 120 milhões de euros - não assusta o grupo suíço, admitindo que com todas as sinergias que podem ser congregadas pela atividade da MSC a nível ibérico, os resultados operacionais da transportadora ferroviária, aumentada, dinamizada, e com mais trabalhadores contratados, conseguirá amortizar esse passivo a médio prazo, ou até a curto prazo, segundo admitiram ao Expresso fontes da empresa. Pelos menos, no horizonte de três anos, a CP Carga terá condições próprias para resolver definitivamente o atual passivo.

A 21 de setembro o Governo de Pedro Passos Coelho assinou o acordo de venda de 95% do capital da CP Carga à Mediterranean Shipping Company Rail (MSC Rail) pelo valor de 53 milhões de euros, comunicou então o Governo. Nesse comunicado, informou que a então ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, e o ministro da Economia, António Pires de Lima, presidiram à cerimónia de assinatura do acordo de venda da CP Carga - Logística e Transportes Ferroviários de Mercadorias com o proponente selecionado,a MSC Rail Portugal".

Na altura, o responsável internacional da MSC que veio a Portugal explicou que este negócio tinha sido fechado por 53 milhões de euros - o valor mais alto oferecido pela empresa portuguesa de transporte ferroviário - e que desse montante, 51 milhões de euros serão usados de imediato para a recapitalizar a empresa.

O mesmo responsável entrevistado na altura pelo Expresso, nas instalações da MSC em Alcântara, explicou que "a estratégia da MSC não se ficaria por transformar a CP Carga no maior e melhor operador ferroviário de transporte de mercadorias ibérico - e, para isso, o grupo suíço investiria o que fosse necessário em novo equipamento, locomotivas e vagões, infraestruturas logísticas na península ibérica e na contratação de mais trabalhadores - mais ia além do espaço ibérico, para apoiar o transporte de mercadorias descarregadas pela MSC em outros portos da Europa".