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OPEP. O dilema é saber quem aceita cortar a produção

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O ministro saudita do Petróleo, Ali al-Naimi, à conversa com os jornalistas antes da reunião desta sexta-feira da OPEP, em Viena

HEINZ-PETER BADER / Reuters

A reunião da OPEP desta sexta-feira em Viena será marcada pelas divergências dos países produtores, sem uma estratégia comum para reduzir a oferta. Os preços do petróleo permanecerão baixos

O dilema que atravessa a reunião da Organização dos Países Produtores de Petróleo (OPEP) que esta sexta feira decorre em Viena é saber quem aceita reduzir a produção. E alguns delegados já reconheceram que essa é uma das matérias em que discordância impera.

Arábia Saudita e os seus aliados do Golfo Pérsico avisaram que só estariam disponíveis para reduzir a produção se o Irão, Iraque e demais produtores o fizessem também. A OPEP é responsável por um terço da oferta mundial de petróleo

A falta de consenso levará a que na reunião de Viena a OPEP decida manter a produção, sem encontrar uma solução para o excesso de oferta, tal como sucedera há um ano. O resultado será a manutenção dos atuais preços baixos do petróleo. A estratégia dos países produtores vai passar por reduzir o investimento em novas produções..

O objetivo da Arábia Saudita, o maior produtor da OPEP, é manter a sua quota de mercado, travando a expansão do petróleo de xisto nos EUA - que levou o país a alcançar o lugar de maior produtor mundial em 2014. A Rússia é outra fonte de preocupação da organização. Os preços baixos afetam também os países da OPEP, incluindo a Arábia Saudita, com custos de produção baixos, que precisam do petróleo acima dos 100 dólares para equilibrar os seus orçamentos.

A Rússia e os países produtores que não pertencem à OPEP não estão dispostos a coordenar a sua ação com a organização e o Iraque precisa de aumentar a produção para níveis recordes para financiar a guerra com o autodenominado Estado Islâmico (Daesh). Este ano produziu níveis recordes de mais de quatro milhões de barris por dia.

Irão aumenta produção

Ma tarde desta quinta-feira, os ministros da OPEP reuniram-se durante uma hora para avaliar bases de entendimento, mas nenhum acordo foi alcançado.

À chegada a Viena, os ministros da Energia dos membros da OPEP ja tinham manifestado uma profunda relutância para cortar a produção sem um compromisso claro de outros produtores, incluindo a Rússia, fazerem o mesmo.

A maioria dos membros da OPEP reconhece que cortar a produção não será por si só suficiente para impulsionar os preços, porque outros fornecedores, como os americanos, voltariam a aumentar a oferta.

Após a reunião, o ministro do Petróleo iraniano Bijan Zanganeh confirmou que havia “muitas divergências” entre os países e que se ficou “muito longe” de um compromissso sobre a estratégia a adotar. O Irão rejeitou o convite da Arábia Saudita para cortar a produção, informando que iria manter os planos para aumentar a produção em um milhão de barris por dia, a menos que o Ocidente levante as sanções em 2016.

Os preços mais altos incitariam rivais da OPEP, como os produtores americanos, a lançar mais petróleo no mercado, criando reservas excedentárias. “Esta não é a solução de longo prazo que procuram os pesos-pesados ​​da OPEP e levaria a um círculo vicioso em que a subida de preço não aguentaria muito tempo”, segundo a consultora de energia PVM.

Os países da OPEP concordam que há um excesso de oferta, mas os conflitos de interesses entre eles impedem medidas concretas. A Arábia Saudita está preocupada com a sua capacidade de influência politica na região e teme que o rival Irão seja o maior beneficiário de um corte de produção. O Iraque precisa de financiar a guerra interna.

A Arábia Saudita “só deverá alterar a sua política quando acreditar que pode influenciar novamente o mercado”, refere a consultora Energy Aspects.

Com a manutenção da estratégia da OPEP, os preços permanecerão inferiores a 50 dólares por barril e só poderão aproximar-se dos três dígitos em 2020. A Agência Internacional de Energia estima que o preço,nessa altura, estará nos 80 dólares. No próximo semestre, as estimativas compiladas pela Bloomberg, apontam para um preço entre os 50 e os 60 dólares.