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OPEP decide não mexer no teto de produção, adia a decisão para junho

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Apesar de uma "fuga" de informação ter adiantado que o cartel teria decidido aumentar o teto oficial de produção, a reunião acabou por adiar a fixação de um "número" para a próxima reunião em junho de 2016

Jorge Nascimento Rodrigues

A cimeira da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) reunida esta sexta-feira em Viena decidiu adiar qualquer decisão sobre o teto oficial de produção diária para a próxima reunião em junho de 2016.

A posição acordada foi de "esperar para ver", de modo a que o panorama de produção e exportação do crude esteja mais claro. "Decidimos adiar essa decisão para a nova reunião da OPEP até que o quadro esteja mais claro", afirmou, em conferência de imprensa, o secretário-geral do cartel, o líbio Abdullah al-Badri. Deste modo, o atual nível de produção (que não foi especificado) continua como patamar coletivo e os membros do cartel voltarão a analisar a situação entre janeiro e junho do próximo ano.

Antes da conferência de imprensa, que se iniciou com um atraso de mais de uma hora sobre o previsto, a Bloomberg adiantara que a cimeira teria acordado numa subida do teto oficial em 1,5 milhões de barris por dia. Mas essa intenção acabou por não se materializar. "Não achámos necessário colocar um número" no comunicado, disse o secretário-geral da organização. Algumas estimativas apontam para uma produção média atual de 31,5 milhões de barris por dia, acima do teto oficial de 30 milhões referido explicitamente em comunicados das reuniões anteriores do cartel. O número de 31,5 milhões barris foi o referido pela Bloomberg e pela Reuters como novo teto diário que deveria ser colocado em comunicado. Mas não foi.

A Indonésia voltou a reingressar no cartel. Um dos dados que ainda não está claro é o regresso da produção do Irão. "Há que acomodar o Irão", disse o secretário-geral.

Corte não teria impacto

Uma das conclusões claras da cimeira é que não houve qualquer entendimento para um corte no teto de produção.

O comunicado da reunião sublinha que a oferta por parte dos países não membros da OPEP deverá contrair-se no próximo ano enquanto se antecipa que a procura global deverá aumentar novamente na ordem de 1,3 milhões de barris diários.

Os membros do cartel constataram que os níveis de stocks e de produção do petróleo nos países da OCDE “continuaram a subir”. Os dados mais recentes indicam que os inventários de stocks tanto no caso dos 35 países da OCDE como dos países não incluídos na OCDE continuam “bastante acima da média dos últimos cinco anos”.

Neste contexto, não admira que o presidente da reunião, o ministro de Estado para os Recursos Petrolíferos da Nigéria, Emmanuel Ibe Kachikwu, tenha dito aos jornalistas que “mesmo que a OPEP decidisse cortar em 5% [o teto de produção oficial] não há evidência que isso viesse a ter impacto”. Em entrevista à CNBC, Kachikwu admitiu que a OPEP poderá reunir eventualmente antes de junho se for necessário.

  • A Bloomberg está a noticiar que a cimeira do cartel petrolífero em Viena terá decidido aumentar para 31,5 milhões de barris diários o limite anterior fixado em 30 milhões diários, segundo um delegado que participou na reunião