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Fernando Pinto. “É difícil” o Governo reverter a privatização da TAP

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José Carlos Carvalho

Já entraram 180 milhões de euros na companhia “e eu gastei metade, politicamente isto não pode ser revertido”, salienta o presidente da companhia, que diz conhecer “muito bem” António Costa e saber que ele “tem plena consciência da importância da TAP”

“Durmo bem, sim, mas pelo cansaço. Foram 20 dias de privatização, mas parece que passaram 20 anos, não tem sido fácil”, começou por frisar Fernando Pinto, presidente-executivo da TAP, no congresso da Associação Portuguesa das Agências de Viagens (APAVT) que está a decorrer no Algarve.

Questionado sobre o facto de o novo Governo considerar reverter o processo de privatização da companhia, Fernando Pinto deixou claro que “já entraram 180 milhões de euros na empresa e eu gastei metade, rapidinho. Não sei como se pode reverter um processo desses. Percebo o posicionamento político, mas uma coisa é o que se gostava, e outra o que é possível”. Pinto apela a que se ache “uma solução política para que todos fiquem contentes, os nossos políticos são criativos e vão consegui-lo”.

Novos acionistas trazem plano de negócios até 2022

Orador do painel do congresso da APAVT intitulado “O futuro da TAP”, Fernando Pinto enfatizou que “a solução para a TAP agora é política. Eu e todos os 12 mil trabalhadores do grupo TAP estamos muito satisfeitos com o caminho percorrido. Finalmente temos tesouraria, finalmente temos capital, finalmente temos futuro. Agora que temos dinheiro, vamos em frente”, disse.

“E chegaram pessoas novas, com novas ideias e muito entusiasmo. Esse pessoal que está vindo para cá quer aprender connosco, e os mais antigos como eu têm a responsabilidade de os alinhar para continuar esse caminho”, salientou ainda o presidente da TAP, enfatizando o bom clima dentro da empresa e com os sindicatos trazido pelos novos acionistas. “Temos um plano de negócios já feito até 2022”, sublinhou, adiantando que o mercado dos Estados Unidos vai assumir uma importância crescente no futuro da companhia.

Segundo o responsável da TAP, o hub de Lisboa é uma aposta para manter e reforçar, mas não duvida que “o aeroporto da Portela vai ficar estrangulado”, e que a complementaridade com o aeroporto do Montijo é “uma solução possível”.

No congresso da APAVT, o presidente da TAP falou também das sobretaxas que a companhia anunciou para este Natal e passagem do ano, penalizando entre 25 e 100 euros os bilhetes para determinados destinos se o prazo de prazo de pagamento for ultrapassado. “Foi feito muito em cima da hora e é algo que tem de ser ajustado”, admitiu. “Tivemos reclamações fortes das ilhas (Madeira e Açores), que é um mercado especial, e já não se aplica para residentes e estudantes”.

Considerado pela plateia de congressistas um “sobrevivente” na TAP, Fernando Pinto salientou já ter passado por nove Governos, do PSD, do PS: “Estou bem, estou vivo”. E garantiu: “Conheço muito bem o nosso novo primeiro-ministro e sei que ele tem plena consciência da importância da TAP”.