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Bolsas continuam zangadas com o BCE

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A sessão bolsista na Ásia Pacífico fechou com perdas superiores a 2% na China e no Japão. A Europa abriu no vermelho com Zurique e Madrid a liderarem as quedas entre as principais praças. PSI 20 com perdas em linha com trajetória europeia

Jorge Nascimento Rodrigues

O desapontamento com o pacote de estímulos monetários divulgado na quinta-feira pelo Banco Central Europeu (BCE) provocou, de imediato, uma maré vermelha na Europa e nos Estados Unidos no próprio dia. Esta sexta-feira foi a vez da maré chegar aos mercados financeiros da Ásia Pacífico e continuar a assolar as bolsas europeias na abertura, ainda que com menos intensidade.

As bolsas asiáticas registaram perdas esta sexta-feira, sem exceções, desde Tóquio e Seul a Sidney. O índice que registou a maior descida foi o A50 chinês (50 principais ações de tipo A cotadas nas duas bolsas de Xangai e Shenzhen) com uma quebra de 2,45%, logo seguido pelo índice Nikkei 225 de Tóquio com um recuo de 2,18%.

Em Tóquio o índice TOPIX caiu 1,8%, em Seul o KOSPI recuou 0,99%, em Taipé o índice geral de Taiwan perdeu 0,68% e em Sidney o ASX 200 registou uma quebra de 1,46%. Na China, o índice composto de Xangai perdeu 1,67% e o composto de Shenzhen caiu 0,48%. O índice CSI 300, das trezentas principais cotadas nas duas bolsas, recuou 1,91%. O índice Hang Seng, de Hong Kong, registou perdas de 0,81%.

Na Europa, pelas 9h (hora de Portugal), a maré vermelha continuava, mas com menos intensidade. Depois de quedas de mais de 3,5% em bolsas como Amesterdão, Frankfurt e Paris na quarta-feira, as perdas na abertura desta sexta-feira situam-se abaixo de 0,9% nas principais bolsas, com Zurique e Amesterdão a liderarem as quedas. Entre as principais bolsas europeias, Milão negoceia ligeiramente em terreno positivo. O índice PSI 20 da Bolsa de Lisboa está em linha com a trajetória europeia, registando um recuo de 0,3%.

A par do desapontamento dos mercados financeiros com o pacote de Natal do BCE, a presidente da Reserva Federal norte-americana (Fed), Janet Yellen, reafirmou na quinta-feira perante a Comissão Económica Conjunta do Congresso duas ideias chave do discurso da Fed desde a reunião de outubro: a economia norte-americana está com um ritmo de crescimento que "aguenta" uma subida das taxas de juro do banco central ainda este ano e há riscos se esse processo for atrasado.

A probabilidade para que uma primeira subida do intervalo das taxas de juro - entre 0% e 0,25% desde dezembro de 2008 - seja anunciada na próxima reunião de 16 de dezembro subiu na quinta-feira para 79%, segundo a probabilidade implícita calculada pela CME com base nos futuros a 30 dias das taxas de juro da Fed.

Cartel do crude está reunido em Viena

No fecho da sessão asiática desta sexta-feira, o preço do barril de petróleo de Brent descia para 43,88 dólares, depois de ter subido para 44,05 dólares no fecho de 3 de dezembro, Recorde-se que na quinta-feira o preço subiu mais de 3% em relação ao mínimo do ano registado a 2 de dezembro, com o barril em 42,49 dólares.

Está a realizar-se em Viena a cimeira da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), estando prevista uma conferência de imprensa do presidente do cartel para as 15h (hora de Portugal). O preço do cabaz da OPEP tem flutuado nos últimos dias: subiu de 38,93 dólares a 30 de novembro para 39,30 dólares no dia seguinte, para descer para 37,89 dólares no fecho de quinta-feira. O pico neste último trimestre do ano verificou-se a 9 de outubro com o cabaz a apontar para um preço médio de 48,79 dólares. A Bloomberg revelou que o cartel está a produzir acima do teto diário que fixou, com uma produção em novembro de 32,1 milhões de barris por dia, ou seja dois milhões e 100 mil barris acima do limiar.

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