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Augusto Mateus não está “impressionado que sobrem apenas umas dezenas de milhões”

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Tiago Miranda

Antigo ministro, que não percebe “esta excitação que vai por aí”, reconhece que a meta do défice traçada pelo Governo PSD/CDS não será cumprida e ficará a rondar os 3%

O ex-ministro Augusto Mateus não teve ainda tempo para consultar o último relatório da a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) sobre a execução orçamental, mas pelos destaques que foi vendo não se mostra surpreendido nem percebe bem “esta excitação que vai por aí”.

Contactado pelo Expresso, o economista refere que “a menor eficiência fiscal e o abrandamento do crescimento económico” torna improvável que seja alcançada a meta de 2,7% de défice traçada pelo Governo PSD/CDS.

A redução do défice foi feita muito à custa “de uma maior produção de impostos, pela via do agravamento fiscal e do combate á evasão”. Os ganhos de eficiência “são grandes no início do processo, mas a curva não pode crescer indefinidamente e tende a estabiliizar”, refere o economista.

Quanto à almofada orçamental, Mateus também não se impresssiona nem percebe a excitação. A almofada é “um recurso que existe para fazer face a despesas inesperadas e derrapagens dos ministérios”. Como estamos no último mês do ano, “não me impressiona que sobrem apenas umas dezenas de milhões de euros”. No limite, esse valor deve chegar no fim do ano a zero. Se fosse em janeiro ou março,“então sim, seria motivo de preocupação”.

O que preocupa mesmo Augusto Mateus é que “a discussão permaneça no domínio orçamental e financeiro”, sendo urgente pensar fora dessa “caixa negra” e traçar uma política económica que favoreça o crescimento