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Mercados financeiros da zona euro à espera de Draghi

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As principais bolsas europeias estão a negociar em terreno positivo na abertura desta quinta-feira. O PSI 20, em linha com a tendência na zona euro, sobe 0,7%. O índice Eurostoxx 50 regista ganhos. Maioria dos analistas espera que o BCE anuncie um pacote de novos estímulos monetários ao início da tarde

Jorge Nascimento Rodrigues

Depois de uma abertura “mista”, as principais bolsas europeias estão a negociar em terreno positivo nestes primeiros minutos da abertura da sessão europeia desta quinta-feira.

O índice Eurostoxx 50 estava a ganhar mais de 0,2% e o índice PSI 20, da Bolsa de Lisboa, registava ganhos de 0,7%. Entre as principais praças financeiras, Paris, Milão e Frankfurt lideravam as subidas. Na Europa, entre as principais, apenas a bolsa de Zurique estava no vermelho.

As bolsas asiáticas fecharam mistas e os futuros em Wall Sreet estão em terreno positivo. O preço do barril de petróleo de Brent, depois de ter registado um mínimo do ano na quarta-feira, cotando 42,67 dólares, está a negociar acima dos 43 dólares nesta abertura da sessão europeia, com um ganho de quase 0,5%. O euro está a valer 1,0574 dólares, implicando uma desvalorização de mais de 0,3% em relação ao fecho do cambio na quarta-feira. O mínimo do ano registou-se a 8 de março com o euro a baixar para 1,0495 dólares.

Anúncio de medidas do BCE ao início da tarde

A Europa está na expectativa das decisões da reunião desta quinta-feira do Banco Central Europeu (BCE), a última do ano, e em torno da qual se tem especulado intensamente a partir de uma frase recente de Mario Draghi, o seu presidente, que já passou a integrar o seu livro de citações: “Faremos o que temos de fazer para subir a inflação o mais rapidamente possível”.

O presidente do BCE proferiu mais esta frase célebre a 20 de novembro e a sua posição reforçou a decisão, tomada na reunião de outubro, de reavaliar todo o quadro de estímulos de política monetária em vigor. Apesar de uma decisão no sentido de ampliação de estímulos ter a oposição de responsáveis de bancos centrais como os da Alemanha, Eslovénia, Estónia e Letónia, os analistas inclinam-se, por consenso, que o BCE anunciará esta quinta-feira pelas 12h45 (hora de Portugal) um pacote de novas medidas. E aguardam-se as declarações de Draghi na conferência de imprensa em Frankfurt pelas 13h30 (hora de Portugal).

A probabilidade elevada de uma nova injeção de estímulos monetários pelo BCE subiu na quarta-feira depois do Eurostat divulgar que a inflaçao em novembro não tinha descolado, mantendo-se em 0,1% em termos homólogos, e que a própria inflação subjacente desceu de 1,1% em outubro para 0,9% no mês seguinte.

Quatro medidas possíveis

O quadro de mudança que é esperado, segundo os 12 maiores bancos do mundo referidos pela FX Street, aponta para quatro ampliações do atual quadro de estímulos do BCE.

A medida que tem sido mais falada, e antecipada pelos próprios mercados financeiros, diz respeito a uma alteração na taxa de remuneração negativa dos depósitos dos bancos comerciais no BCE que poderá ser agravada entre 10 a 30 pontos base, ou seja, passar a ser fixada entre -0,3 a -0,5%. Esta mudança tem uma implicação importante no limite que atualmente impede a aquisição pelo BCE no mercado secundário de obrigações da zona euro com prazo de 2 ou mais anos que registem yields mais negativas do que -0,2% (a atual taxa de remuneração dos depósitos que serve, também, de referência para a definição do perímetro do que é elegível para o programa de compra de dívida pública em curso desde março).

Os analistas inclinam-se, ainda, para uma extensão do programa de compra de ativos públicos e privados pelo BCE até ao final do 2º ou do 3º trimestre de 2017, ou seja um prolongamento da atual data indicativa de setembro de 2016.

Outra possibilidade é o aumento do volume mensal de compras, atualmente em 60 mil milhões de euros, e que poderá ser subido entre 10 a 20 mil milhões.

Finalmente, há analistas que apontam para a ampliação do próprio leque de títulos públicos a adquirir pelo BCE que poderia passar a incluir dívida municipal e regional.

Alguns analistas dizem que a cereja em cima do bolo poderia ser uma decisão que não tem sido antecipada, a de um corte na própria taxa diretora de juros dos empréstimos concedidos pelo BCE à banca que tem estado em 0,05% desde setembro de 2014.

  • A Bolsa de Tóquio conseguiu fechar acima da linha de água, mas Sidney, Seul, Taipé e Hong Kong fecharam no vermelho, digerido mal as palavras da presidente da Fed. A bolsa de Xangai fecha em alta pela quarta sessão consecutiva com expetativa de mais estímulos monetários do banco central em Pequim