Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Juros da dívida em novos mínimos de sete meses

  • 333

Os juros das Obrigações do Tesouro português a 10 anos desceram para 2,25% na abertura desta quinta-feira no mercado da dívida da zona euro. Juros das obrigações dos periféricos em queda à espera das decisões do BCE, com exceção da Grécia

Jorge Nascimento Rodrigues

A poucas horas do Banco Central Europeu (BCE) anunciar as decisões sobre política monetária tomadas na reunião desta quinta-feira, o mercado secundário da dívida da zona euro regista uma descida nas yields das obrigações a 10 anos dos periféricos do euro, com exceção da Grécia. A maior descida está a verificar-se para as obrigações portuguesas.

As yields das Obrigações do Tesouro português (OT), naquele prazo de referência, registam 2,25% pelas 9h (hora de Portugal), um novo mínimo desde há sete meses. É preciso regressar ao início de maio para observar este nível de custo de financiamento da dívida portuguesa no prazo de referência. A trajetória nesta quinta-feira não está, ainda, contudo definida. Na Assembleia da República termina hoje o debate do programa do novo governo português chefiado por António Costa com o provável chumbo da moção de rejeição que irá ser apresentada pela coligação de oposição PSD/CDS.

A Grécia continua com uma trajetória distinta dos restantes periféricos, com subidas das yields das obrigações a 10 anos para a proximidade de 8%. Recorde-se que a dívida grega está excluída do programa de compras pelo BCE e continua com incerteza sobre a sua situação no quadro do euro. O governo de Atenas tem de, num horizonte de 10 dias, fazer passar no Parlamento mais um pacote de 13 medidas prioritárias para poder receber mais uma subtranche, agora de mil milhões de euros, no âmbito da primeira roda de financiamento do terceiro resgate. A maioria absoluta no Parlamento encurtou-se na última votação de medidas prioritárias. Esta semana, registaram-se ameças no sentido de excluir o país da zona Schengen. Alguns meios de Bruxelas avançam que a conclusão do primeiro "exame" do andamento do terceiro resgate poderá estender-se até fevereiro.

Uma das expetativas mais elevadas em torno das decisões que o BCE vai tomar centra-se na mexida ou não na taxa de remuneração de depósitos dos bancos comerciais da zona euro nos cofres do banco central.

A atual taxa negativa está -0,2% desde 10 de setembro de 2014. Ela serve, também, de referência para definir o perímetro de elegibilidade das obrigações dos membros do euro em prazos de 2 ou mais anos que registem yields negativas no mercado secundário. Todas as obrigações, naqueles prazos, que registem yields mais negativas do que a taxa sobre os depósitos estão excluídas.

Neste momento, são sete os países do euro, incluindo um periférico (Irlanda), que registam yields negativas nesses níveis fora do perímetro elegível para o programa de compras do BCE. O grupo nessas condições abrange Alemanha, nos prazos de 2 a 5 anos, Áustria, Bélgica, Finlândia e Holanda nos prazos de 2 a 4 anos, França nos prazos de 2 e 3 anos, e Irlanda no prazo a 2 anos.

Os analistas referem a possibilidade da taxa sobre os depósitos passar de -0,2% para um valor no intervalo entre -0,3% e -0,5%.

Os bancos centrais da Suíça e da Dinamarca fixaram taxas negativas sobre os depósitos de -0,75% e o banco central da Suécia lidera este tipo de medidas com uma taxa negativa de -1,1%.

As decisões do BCE desta quinta-feira surgirão num quadro de eleições importantes em França (regionais, já no próximo domingo e no domingo seguinte) e Espanha (legislativas a 20 de dezembro) e de divergência com o caminho que a Reserva Federal norte-americana (Fed) tomou de desativação progressiva dos estímulos monetários lançados em 2008. Janet Yellen, a presidente da Fed, discursou ontem no Clube Económico de Washington, reafirmando a orientação decidida na última reunião em outubro, e hoje falará perante o Congresso dos EUA.

  • As principais bolsas europeias estão a negociar em terreno positivo na abertura desta quinta-feira. O PSI 20, em linha com a tendência na zona euro, sobe 0,7%. O índice Eurostoxx 50 regista ganhos. Maioria dos analistas espera que o BCE anuncie um pacote de novos estímulos monetários ao início da tarde