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BCE provoca maré vermelha nos dois lados do Atlântico

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reuters

Wall Street fechou a cair mais de 1%. Bolsas de Amesterdão, Frankfurt e Paris quebram mais de 3,5%. Euro valoriza-se 3% e o preço do barril de Brent sobe mais de 3%. Índices dos preços das matérias-primas em alta. Estrago de €250 mil milhões no mercado da dívida

Jorge Nascimento Rodrigues

O desapontamento com o pacote de estímulos monetários anunciado pelo Banco Central Europeu dominou a parte da tarde desta quinta-feira nas bolsas europeias e depois contagiou negativamente Wall Street no outro lado do Atlântico. Globalmente, as bolsas mundiais perderam hoje quase 1%, segundo o índice MSCI.

As bolsas europeias fecharam registando perdas, com os índices Aex de Amesterdão, Dax de Frankfurt e Cac 40 de Paris a liderarem as quedas com uma descida superior a 3,5%. O índice Eurostoxx 50, das cinquenta principais cotadas da zona euro, perdeu 3,28%. Os três títulos mais afetados, com perdas superiores a 5%, foram a Daimler, a Airbus e a Danone. O índice PSI 20, da Bolsa de Lisboa, recuou 1,87%. O índice MSCI para 15 economias europeias caiu esta quinta-feira 0,65%

A maré vermelha saltou depois para os Estados Unidos, cujo índice MSCI perdeu 1,45%, a maior quebra do dia nos índices "regionais". Os principais índices de Wall Street fecharam com perdas acima de 1%. O Dow Jones 30 recuou 1,41% e o S&P 500 desceu 1,44%. Na bolsa das tecnológicas em Times Square, o índice Nasdaq caiu 1,7%. Os três títulos mais afetados do Dow Jones, com perdas superiores a 2,5%, foram a seguradora The Travelers, a Goldman Sachs e a Nike.

No mercado da dívida dos dois lados do Atlântico Norte, as perdas ascenderam a 98,3 mil milhões de euros na Zona Euro e 162,5 mil milhões de dólares (equivalente a 152 mil milhões de euros) nos Estados Unidos, segundo a Bloomberg, com base em dados do Bank of America Merrill Lynch. O desapontamento com o pacote do BCE "custou" mais de 250 mil milhões de euros no mercado da dívida.

Nos mercados de matérias-primas, o preço do barril de Brent para entrega em janeiro subia para 44,08 dólares pelas 22h (hora de Portugal). Uma subida de mais de 3% em relação ao mínimo do ano registado na quarta-feira com o preço do Brent a cotar 42,67 dólares. Um preço acima de 50 dólares só surge no Brent para novembro de 2016.

Os índices de preços de matérias-primas apontam também para uma trajetória de alta durante esta quinta-feira. O índice Bloomberg subiu 1,15%, o índice CRB da Reuters subiu 1,36% e o S&P GSCI avançou 1,56%.

O euro chegou a subir para 1,0983 dólares durante esta quinta-feira na sessão na Europa e acabou por fechar em 1,0929 dólares pelas 22h (hora de Portugal), uma subida de cerca de 3% em relação ao fecho de quarta-feira. Antes do “choque” negativo do anúncio do pacote do BCE ao início da tarde, o cambio havia descido para 1,0548 dólares.

  • Depois do anúncio das medidas tomadas esta quinta-feira pelo BCE ampliando estímulos monetários, os mercados financeiros na Europa entraram em pânico. Os juros das OT dispararam para perto de 2,5%, o PSI 20 na bolsa de Lisboa passou a terreno negativo e as bolsas de Amesterdão, Paris e Frankfurt estão a cair mais de 2,5%. Euro valorizou mais de 2%

  • O BCE decidiu na reunião de quinta-feira ampliar em seis meses, até março de 2017, a data indicativa de funcionamento do programa de compras de ativos e alargar as aquisições de títulos públicos aos emitidos por regiões e municipalidades. O BCE reviu em baixa as previsões de inflação para 2016 e 2017

  • Num movimento antecipado pelos mercados financeiros a equipa de Mario Draghi decidiu na reunião desta quinta-feira agravar a taxa sobre os depósitos em 10 pontos base abrindo campo para uma alteração do perímetro de obrigações com juros negativos elegíveis para o programa de compra de dívida