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BCE prolonga programa de compra de ativos até março de 2017

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O BCE decidiu na reunião de quinta-feira ampliar em seis meses, até março de 2017, a data indicativa de funcionamento do programa de compras de ativos e alargar as aquisições de títulos públicos aos emitidos por regiões e municipalidades. O BCE reviu em baixa as previsões de inflação para 2016 e 2017

Jorge Nascimento Rodrigues

A par da decisão de agravar ainda mais a taxa negativa de remuneração de depósitos dos bancos comerciais da zona euro nos cofres do Banco Central Europeu (BCE) para -0,3%, a equipa presidida por Mario Draghi tomou esta quinta-feira mais duas medidas importantes.

Por um lado, decidiu estender a data indicativa do programa de compras de ativos públicos e privados até março de 2017. E, por outro, passar a incluir títulos públicos emitidos em euros por regiões e municípios da zona euro no perimetro de compras elegíveis pelos bancos centrais nacionais respetivos. A extensão por mais seis meses da data indicativa do programa aumenta em 360 mil milhões de euros o montante de compras inicialmente previsto que apontava para 1,14 biliões de euros no final de setembro de 2016.

O BCE poderá reavaliar "na primavera" de 2016 os parâmetros técnicos do atual programa de aquisição de dívida pública lançado em março passado. Mario Draghi voltou a sublinhar que há flexibilidade no programa de compras e que ele poderá continuar para além de março de 2017 se for necessário e "em qualquer circunstância" até que se verifique um "ajustamento sustentável" na evolução da inflação em direção à meta de médio prazo de abaixo mas próximo de 2%.

Nas razões que levaram a esta ampliação dos estímulos monetários, o BCE reviu em baixa a inflação na zona euro para 2016 e 2017 e manteve a previsão de 0,1% para a inflação em 2015. No entanto, quanto à taxa de crescimento real do PIB decidiu rever em alta as previsões para 2015 - 1,5% em vez de 1,4% na projeção de setembro - e 2017 - de 1,8% para 1,9%. A previsão para o crescimento do PIB em 2016 manteve-se em 1,7%.

Mario Draghi recordou a estimativa recente do Eurostat apontando para uma inflação de 0,1% em outubro e a equipa técnica do BCE aponta, agora, 0,1% em 2015, 1% em 2016 e 1,6% em 2017, um ritmo mais lento de subida da inflação nos dois próximos anos do que o previsto em setembro.

Sem as medidas tomadas nesta reunião, Draghi alertou que a inflação em 2016 e 2017 seria 0,5 pontos percentuais mais baixa em cada um dos anos e que o crescimento do PIB seria prejudicado em 1 ponto percentual nos dois próximos anos.

Draghi sublinhou que houve "uma muito ampla maioria a favor deste pacote" de medidas. O pacote ficou, no entanto, aquém de medidas que muitos analistas e casas financeiras anteviam, como o aumento do volume mensal de compras, atualmente em 60 mil milhões de euros, ou uma taxa negativa de remuneração de depósitos no nível de -0,4% ou -0,5%. Alguns analistas falam de "serviços mínimos", e, por isso, de "desapontamento" nos mercados financeiros.

  • Num movimento antecipado pelos mercados financeiros a equipa de Mario Draghi decidiu na reunião desta quinta-feira agravar a taxa sobre os depósitos em 10 pontos base abrindo campo para uma alteração do perímetro de obrigações com juros negativos elegíveis para o programa de compra de dívida