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BCE desaponta, juros da dívida disparam e bolsas afundam-se

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Depois do anúncio das medidas tomadas esta quinta-feira pelo BCE ampliando estímulos monetários, os mercados financeiros na Europa entraram em pânico. Os juros das OT dispararam para perto de 2,5%, o PSI 20 na bolsa de Lisboa passou a terreno negativo e as bolsas de Amesterdão, Paris e Frankfurt estão a cair mais de 2,5%. Euro valorizou mais de 2%

Jorge Nascimento Rodrigues

O Banco Central Europeu (BCE) anunciou esta quinta-feira um pacote de estímulos monetários, mas os mercados financeiros esperavam “mais”, se olharmos para as reações imediatas ocorridas nas bolsas europeias e no mercado secundário da dívida soberana da zona euro a partir das 13h30 (hora de Portugal).

Após a divulgação da decisão de fixar a taxa de remuneração dos depósitos bancários no BCE em -0,3% (havia expetativa de um corte maior) e logo que se conheceram as medidas adicionais de extensão do período do programa de compra de ativos até março de 2017 e de inclusão de obrigações municipais e regionais dos estados da zona euro no perímetro de compras pelos bancos centrais nacionais do sistema da moeda única, a reação não foi positiva.

Pelo contrário, gerou-se pânico, com os analistas a dizerem que sabia a pouco o pacote de Mario Draghi e os investidores nas bolsas e no mercado secundário da dívida a sinalizarem o descontentamento. O euro que havia descido 0,37% face ao dólar na abertura da sessão europeia, inverteu a trajetória e está a valorizar mais de 2%. De 1,0574 dólares pela manhã para 1,0861 depois da conclusão da conferência de imprensa do presidente do BCE.

Nas bolsas europeias ocorreu uma reviravolta. De terreno positivo em que negociavam de manhã, as bolsas passaram ao vermelho. Pelas 15h (hora de Portugal), o PSI 20, o índice da Bolsa de Lisboa está a cair mais de 1,5%. Entre as principais bolsas, os índices AEX de Amesterdão, Cac 40 de Paris e Dax de Frabkfurt lideram as quedas com descidas de mais de 2,5%. O índice Eurostoxx 50 passou de terreno positivo de manhã para uma queda de 2,9% agora.

Em Wall Street, os índices Dow Jones 30 e S&P 500 estão a negociar em terreno negativo, perdendo mais de 0,3%, e o Nasdaq, da bolsa tecnológica de Times Square, regista um recuo de 0,1%.

No mercado da dívida soberana, a reação negativa foi também muito acentuada. As yields das obrigações dos estados membros do euro dispararam a partir do anúncio das medidas do BCE. No caso das Obrigações do Tesouro português (OT), no prazo de referência a 10 anos, de uma descida para 2,24%, um mínimo de sete meses, durante a sessão da manhã, as yields passaram para perto de 2,5% pelas 13h45, estando, atualmente, em 2,47%.

Em relação ao fecho de quarta-feira, as yields das OT a 10 anos subiram, até agora, 19 pontos base. As maiores subidas, de 20 pontos base, registam-se com as yields das obrigações gregas, já perto de 8%, e das obrigações italianas.

Mas o impacto foi, também, importante nas yields das obrigações dos países do centro do euro.

Uma das consequências da subida generalizada das yields foi o emagrecimento do número de países e de prazos no mercado secundário em que as yields estavam em níveis negativos antes do anúncio das medidas do BCE.

Após o “desapontamento” com o pacote de estímulos monetários, o número de países com obrigações com taxas negativas até -0,3% reduziu-se de 8 para 7, fazendo desaparecer a Eslováquia da lista, e os países que registavam yields mais negativas do que -0,3% emagreceram de cinco para um – a Alemanha. Neste último caso, as yields das obrigações a 2 anos, que chegaram a fixar um mínimo histórico de -0,452% durante a manhã, passaram para -0,313% durante a tarde.

  • Num movimento antecipado pelos mercados financeiros a equipa de Mario Draghi decidiu na reunião desta quinta-feira agravar a taxa sobre os depósitos em 10 pontos base abrindo campo para uma alteração do perímetro de obrigações com juros negativos elegíveis para o programa de compra de dívida

  • O BCE decidiu na reunião de quinta-feira ampliar em seis meses, até março de 2017, a data indicativa de funcionamento do programa de compras de ativos e alargar as aquisições de títulos públicos aos emitidos por regiões e municipalidades. O BCE reviu em baixa as previsões de inflação para 2016 e 2017