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BCE corta taxa de remuneração de depósitos para -0,3%

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Num movimento antecipado pelos mercados financeiros a equipa de Mario Draghi decidiu na reunião desta quinta-feira agravar a taxa sobre os depósitos em 10 pontos base abrindo campo para uma alteração do perímetro de obrigações com juros negativos elegíveis para o programa de compra de dívida

Jorge Nascimento Rodrigues

Na reunião desta quinta-feira, a última do ano, o Banco Central Europeu (BCE) decidiu cortar em 10 pontos base a taxa de remuneração dos depósitos dos bancos comerciais da zona euro nos cofres do banco central. A taxa negativa passa de -0,2%, fixada em 10 de setembro de 2014, para -0,3% a partir da próxima quarta-feira, 9 de dezembro.

Minutos antes do comunicado publicado pelo BCE, o jornal britanico "Financial Times" antecipava que a reunião não teria optado pela descida da taxa sobre os depósitos, o que imediatamente foi replicado nas redes sociais e provocou, logo, convulsão no mercado financeiro. O jornal explicou, depois, que havia lançado o "rascunho" errado que tinha preparado.

O agravamento da taxa negativa sobre os depósitos tem em conta que os bancos comerciais da zona euro tinham 161,6 mil milhões de euros "parqueados", em média, nos cofres do BCE em outubro. Em março, quando o BCE iniciou o programa de compra de dívida pública no mercado secundário, os bancos tinham, em média, 49 mil milhões de euros "parqueados". O aumento foi para mais do triplo.

A equipa de Mario Draghi operacionalizou esta mudança largamente antecipada pelos mercados financeiros, deixando sem alterações as outras taxas de juros de referência, nomeadamente a relativa às operações de refinanciamento que se mantém em 0,05%.

O comunicado do BCE acrescenta que “outras medidas de política monetária” serão transmitidas pelo presidente na conferência de imprensa que se realizará pelas 13h30 em Frankfurt.

A decisão de mexer na taxa sobre os depósitos abre o caminho para uma alteração do perímetro das obrigações soberanas dos membros do euro que atualmente eram consideradas não elegíveis para o programa de compra de dívida em virtude de registarem yields mais negativas do que -0,2% no mercado secundário em prazos de 2 ou mais anos.

Atualmente, há oito países com yields negativas até -0,3% em obrigações de 2 ou mais anos e há cinco países com yields mais negativas do que -0,3% em prazos de 2 e 3 anos. No primeiro caso estão Alemanha, Áustria, Bélgica, Eslováquia, Finlândia, França, Holanda e Irlanda. No segundo caso estão obrigações emitidas pela Alemanha, Bélgica, Finlândia, França e Holanda. Recorde-se que esta quinta-feira, na sessão da manhã, as yields das obrigações alemãs a 2 anos fixaram um mínimo histórico de -0,452%.

  • Os juros das Obrigações do Tesouro português a 10 anos desceram para 2,25% na abertura desta quinta-feira no mercado da dívida da zona euro. Juros das obrigações dos periféricos em queda à espera das decisões do BCE, com exceção da Grécia

  • As principais bolsas europeias estão a negociar em terreno positivo na abertura desta quinta-feira. O PSI 20, em linha com a tendência na zona euro, sobe 0,7%. O índice Eurostoxx 50 regista ganhos. Maioria dos analistas espera que o BCE anuncie um pacote de novos estímulos monetários ao início da tarde