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Wall Street fecha no vermelho. Preço do petróleo cai quase 4%

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As bolsas de Nova Iorque fecharam esta quarta-feira registando perdas. Na Europa, o fecho foi "misto", com as principais bolsas da Zona Euro a encerrarem no vermelho. Índices das matérias-primas em queda. Preço do barril de Brent aproxima-se de mínimo do ano

Jorge Nascimento Rodrigues

Wall Street fechou esta quarta-feira registando perdas. Os índices Dow Jones 30 e S&P 500 encerraram a cair 0,88% e 1,1% respetivamente. Na bolsa das tecnológicas, o índice Nasdaq desceu 0,64%.

A NRG Energy foi a cotada com maior queda de valorização no índice S&P 500, perdendo mais de 12,6%. No Dow Jones 30, registaram quedas de cotação superiores a 2% a Exxon Mobil, a Chevron e a Pfizer. A C H Robinson (logística) e a Seagate (discos rígidos) foram as tecnológicas cotadas com quedas superiores a 5% no índice Nasdaq 100.

Na Europa, horas antes, o fecho foi “misto”. Duas importantes praças financeiras, Londres e Zurique encerraram com ganhos de 0,4% e 0,26% respetivamente, enquanto as principais bolsas da zona euro registavam perdas, com Frankfurt a liderar com o índice Dax a cair 0,63% e o Eurostoxx 50, das cinquenta principais cotadas da zona euro, a descer 0,28%. No Dax, a maior queda registou-se com a K+S (agroquímica) com perdas de 4,76% na sua valorização bolsista e, no Eurostoxx 50, a Deutsche Post alemã e o BBVA espanhol registaram perdas superiores a 2,5% nas cotações.

O índice PSI 20, da Bolsa de Lisboa, fechou com ganhos de 0,68%. As maiores quedas diárias registaram-se com os índices de Chipre e Atenas que caíram mais de 2%.

Bolsas mundiais perdem 0,78%

As bolsas mundiais fecharam esta quarta-feira a perder 0,78%, segundo o índice MSCI para todos os países; na terça-feira haviam registado um ganho de quase 1%.

O índice "regional" MSCI que registou maior queda foi o relativo aos Estados Unidos que encerrou a cair 1,11%. Apesar do fecho "misto" na Europa e na Ásia Pacífico, os índices MSCI para as duas "regiões" registaram perdas de 0,35% e 0,27% respetivamente. Os mercados emergentes fecharam com o índice MSCI respetivo a cair 0,45%.

Nos mercados de matérias-primas, esta quinta-feira fechou com todos os índices de commodities a registarem quedas. O índice Boomberg perdeu 1,69%, o índice CRB da Reuters recuou 1,92% e o índice S&P GSCI caiu 2,78%.

O preço do barril de petróleo da variedade Brent desceu quase 4%, com a cotação a fechar em 42,76 dólares, próximo do mínimo do ano registado a 24 de agosto, quando o preço do barril caiu para 42,69 dólares.

A queda na quarta-feira de quase 4% no preço do Brent derivou da confluência de uma notícia vinda dos Estados Unidos com uma previsão sobre a reunião do cartel petrolífero na próxima sexta-feira em Viena. A Energy Information Administration dos EUA, o organismo oficial de estatísticas de energia, reportou que os stocks de crude norte-americanos subiram em 1,2 milhões de barris na semana passada. Os analistas inclinam-se no sentido de que a OPEP (a Organização dos Países Produtores de Petróleo) não decidirá cortar no teto diário de produção. Ou seja, o quadro atual de excesso de oferta e de diminuição da procura tem elevada probabilidade de se manter.

Na Europa, alguns analistas sublinham que os investidores parecem não estar ainda convencidos que o Banco Central Europeu responderá adequadamente na reunião de amanhã a uma situação de inflação próxima de 0% na zona euro.

Quanto aos Estados Unidos, a divulgação do “Livro Bege” esta quarta-feira reforçou duas ideias: a economia cresce a um “ritmo modesto” em várias regiões e o sector industrial continua com uma dinâmica fraca.

Provável subida dos juros da Fed, mas é preciso cautela

O dia ficou, também, marcado além-Atlântico por declarações da presidente da Reserva Federal norte-americana (Fed) que veio reforçar a posição definida na última reunião de outubro.

Os banqueiros centrais dos EUA consideraram, então, apropriado aumentar o intervalo das taxas de juro – atualmente entre 0% e 0,25% desde dezembro de 2008 - pelo final do ano. Mas isso dependerá dos dados que forem publicados, e até à reunião de 16 de dezembro há ainda dados adicionais a receber, recordou esta quarta-feira Janet Yellen, a presidente da Fed, numa intervenção no Clube Económico de Washington. “É importante sublinhar que o caminho efetivo da política monetária dependerá da forma como os próximos dados afetarem a evolução da perspetiva económica”, disse a economista presidente do banco central.

Para além da “dependência dos dados”, Yellen acentuou, várias vezes, a necessidade de cautela. A razão tem a ver com uma assimetria: “Com as taxas de juro perto de zero, podemos responder mais rapidamente a surpresas altistas na inflação, no crescimento económico e no emprego do que a choques negativos. Esta assimetria sugere que é apropriado ser mais cauteloso na subida do nosso alvo para as taxas de juro do que seria o caso se as taxas de juro nominais de curto prazo estivessem apreciavelmente acima de zero”.

No entanto, a presidente acentuou uma avaliação positiva do andamento da economia. “Considero os riscos para a perspetiva da atividade económica e do mercado laboral muito próximo do equilíbrio”, referiu. A economista pretendeu dizer que os riscos negativos e positivos estão quase em equilíbrio, e sublinhou que os “riscos negativos externos diminuíram desde o final do verão”. Desdramatizou, por isso, o “fator China”. “O abrandamento da economia chinesa, que tem recebido muita atenção, deverá provavelmente continuar a ser modesto e gradual”, frisou. Para contrabalançar os riscos negativos na cena mundial, Yellen referiu que muitas economias emergentes e mesmo desenvolvidas mantêm políticas monetárias “acomodatícias” (e vão mantê-las, em divergência com o caminho que a Fed vai tomar de gradualmente reduzir a sua própria política acomodatícia). Antecipou que, em relação à inflação norte-americana (que se situava em 0,25% em outubro, com a inflação subjacente em 1,25%), o impacto da queda dos preços do petróleo e de outras importações irá diminuir.

  • Os índices Dow Jones e S&P 500 abriram esta quarta-feira com perdas ligeiras em Wall Street, e o Nasdaq, das tecnológicas, regista ganhos ligeiros. Na Europa, Frankfurt lidera perdas e Londres lidera ganhos nas principais praças financeiras. PSI 20 mantem-se a subir