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Sérgio Monteiro: “Reverter as concessões dos transportes é deitar fora capital estrangeiro”

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Sérgio Monteiro, ex-secretário de Estado dos Transportes

Alberto Frias

Ex-secretário de Estado dos Transportes diz que “não devemos correr o risco de fazer de Portugal um animal estranho para quem quer investir”. “Precisamos de capital”, diz

O ex-secretário de Estado dos Transportes defendeu hoje que reverter a concessão dos transportes públicos, feita na recta final do governo de Pedro Passos Coelho, seria um erro.

"Reverter a concessão dos transportes é deitar fora capital estrangeiro", afirmou Sérgio Monteiro, ex-secretário de Estado dos Transportes, na conferência do quarto aniversário do Dinheiro Vivo.

Sérgio Monteiro foi o governante que liderou o processo de concessão dos transportes de Lisboa e do Porto (STCP, Metro do Porto, Metro Lisboa e Carris). O ex-secretário de Estado escusou-se no entanto a revelar quanto custaria rever as concessões, sublinhado que não gostaria de falar de casos concretos. O actual governo tem em cima da mesa a possibilidade de reverter as referidas operações.

"Temos um problema de capital. Se é nacional ou estrangeiro é uma discussão para a qual não quero contribuir. Precisamos de capital, a nacionalidade podemos discutir depois", disse o ex-governante, escolhido pelo Banco de Portugal para liderar o processo de venda do Novo Banco.

"Não precisamos de reverter um processo ou de rasgar contratos para os melhorar", sublinhou o ex-secretário de Estado, defendendo que o país tem de saber cuidar do investimento estrangeiro e de "manter a credibilidade externa". "Só investe quem acredita, quando estamos a falar de um mundo global. Não devemos correr o risco de fazer de Portugal um animal estranho para quem quer investir. Precisamos de capital", sublinhou.

Maximizar o encaixe do Novo Banco

Sérgio Monteiro adiantou ainda na conferência que "não há nenhuma decisão tomada, nem quanto ao modelo nem quanto à forma" de venda do Novo Banco. Ou seja, está tudo em aberto. Porém, o ex-governante salientou que neste processo a "maximização do encaixe" é fundamental, assim como também é a manutenção da estabilidade do sistemam financeiro português e a proteção dos contribuintes.


"O plano de reestruturação está a ser elaborado por quem deve ser elaborado, a equipa do Novo Banco e vamos deixar que o trabalho progrida tranquilamente", afirmou o ex-secretário de Estado dos Transportes, coordenador global de venda do Novo Banco, que entregou hoje ao presidente da instituição, Eduardo Stock da Cunha, a responsabilidade de elaborar o plano de reestruturação, elogiando o gestor pelo trabalho desenvolvido.

"O trabalho feito pela equipa liderada por Eduardo Stock da Cunha e todos os colaboradores envolvidos tem sido extraordinário, no sentido de reforçar a credibilidade do plano e do calendário desafiante que temos pela frente", disse o gestor do Fundo de Resolução e ex-administrador do Caixa-Bi.

"O lançamento formal do processo de venda acontecerá apenas após a aprovação do plano de reestruturação", esclareceu. "O trabalho tem sido muito intenso", quer da equipa que o ex-secretário de Estado coordena no Banco de Portugal, "quer do próprio Novo Banco, no sentido de ter tudo preparado para que o processo se possa retomar".

Esse mapa tem no seu caminho "exatamente o plano de restruturação que mostra o que vai ser o banco no futuro e qual é o valor que o banco tem", sublinhou.


O plano de reestruturação do Novo Banco terá de ser entregue este mês em Bruxelas, sendo que os resultados dos testes de 'stress' (resistência) indicaram uma necessidade financeira de 1.400 milhões de euros.