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Bolsas mundiais perderam quase 1% em novembro. Nova Iorque escapou

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As bolsas dos mercados emergentes e de fronteira afundaram mais de 4%. Na Ásia Pacífico e na Europa a quebra mensal foi quase 2%. Só as bolsas norte-americanas fecharam ligeiramente acima da linha de água. Mês fica marcado pelo crash nas bolsas chinesas a 27 de novembro e uma desvalorização do euro de quase 4%

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas mundiais perderam 0,99% em novembro, segundo o índice global MSCI. Os piores desempenhos registaram-se com as bolsas nas 23 economias emergentes, que perderam 3,96%, e nas 23 economias de fronteira, que recuaram 4,57%, segundo os índices MSCI para os dois grupos. Nas economias emergentes inclui-se a Grécia, na zona euro, e nas de fronteira consideram-se Eslovénia, Estónia e Lituânia, também membros da moeda única.

Europa e Ásia Pacífico também registaram perdas em novembro. Os dois índices regionais MSCI recuaram 1,99% cada um deles. Na Europa incluem-se as bolsas de 15 economias europeias, contando com Portugal, onde o índice PSI 20 perdeu 2,84%. O índice asiático abarca 15 economias desenvolvidas e emergentes. Novembro ficou marcado na Ásia pela derrocada bolsista nas bolsas chinesas a 27 de novembro, registando perdas superiores a 5%, que colocaram esse crash como o sexto mais grave este ano na China, depois das derrocadas registadas a 26 de junho, 3, 8 e 27 de julho e 18, 24 e 25 de agosto. A maior derrocada, este ano, até à data, registou-se a 24 de agosto, com uma quebra de quase 9%.

À maré vermelha escapou Nova Iorque. As bolsas norte-americanas ficaram ligeiramente acima da linha de água, com o índice MSCI a registar um ganho de 0,11% em novembro. É o único índice que se mantem em terreno positivo se avaliado desde início do ano de 2015.

As perdas registadas em novembro nos índices MSCI para a Ásia Pacífico e Europa e nos grupos de economias emergentes e de fronteira sucedem a um mês de outubro de ganhos significativos.

A marcar o pulsar das bolsas mundiais está a alta probabilidade da Reserva Federal norte-americana (Fed), o banco central dos EUA, decidir iniciar, na próxima reunião de 16 de dezembro, um processo de subida das taxas de juro que se encontram perto de 0% desde dezembro de 2008, cavando uma divergência clara em política monetária com os bancos centrais que vão continuar a manter ou ampliar estímulos monetários (nomeadamente, Banco Central Europeu, Banco do Japão, Banco Popular da China). A probabilidade do processo ser iniciado subiu drasticamente em novembro. Tendo em conta a probabilidade implícita nos futuros a 30 dias das taxas de juro da Fed, essa probabilidade subiu de 47% a 30 de outubro para 78% a 30 de novembro, segundo o observatório da CME para a reunião de 16 de dezembro.

O euro desvalorizou 3,98% face ao dólar em novembro e acumula até à data uma queda de mais de 15% desde início do ano. Atingiu um mínimo do ano de 1,0456 dólares por euro no início de março. Em novembro fechou em 1,0579 dólares face a 1,1017 dólares no final de outubro.

Nos mercados de matérias-primas manteve-se a trajetória de descida dos preços em novembro, uma tendência do ano que penaliza fortemente os exportadores líquidos de commodities e alimenta o processo de desinflação (descida da taxa de inflação) que está a preocupar nomeadamente o Banco Central Europeu. O índice Bloomberg para as commodities desceu 7,2% em novembro. O índice CRB da Reuters caiu 6,68% e o índice S&P GSCI perdeu 8,97%. O preço do barril de petróleo de Brent caiu de 49,56 dólares no fecho de 30 de outubro para 44,52 dólares no fecho de 30 de novembro - uma quebra de 10%.

O índice Baltic Dry, que reflete os movimentos do comércio marítimo de matérias primas nas 23 principais rotas, caiu 19% em novembro, apesar de ter subido 16,2% em termos acumulados entre 20 e 30 de novembro, registando seis sessões consecutivas em terreno positivo.