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Montepio. Bagão Félix pede “total respeito pelas regras” nas eleições

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Nuno Botelho

O candidato da lista D à presidência do Conselho Fiscal do Montepio Geral apela para que as eleições “decorram com normalidade estatutária e ética, embora alegadamente haja conhecimento de algumas situações que não são propriamente as mais desejáveis”

O candidato da lista D à presidência do Conselho Fiscal do Montepio Geral Associação Mutualista (MGAM), António Bagão Félix, apela para que o processo eleitoral decorra com total respeito pelas regras, afirmando ter indícios que isso não está a acontecer.

"Esperamos que as eleições decorram com normalidade estatutária e ética, embora alegadamente haja conhecimento de algumas situações que não são propriamente as mais desejáveis. Esperemos que a situação se possa devidamente aferir, controlar e auditar, para que seja o mais transparente possível o resultado destas eleições", diz à agência Lusa o responsável.

E realça: "Vai haver vencedores e perdedores mas, no fim, todos somos vencedores, porque desde que haja rigor, transparência e ética, com respeito pelas regras e igualdade de oportunidades para todas as listas, quem ganha é a associação mutualista".

A 18 de novembro, a lista D, liderada por António Godinho, que concorre às eleições do grupo mutualista sob o lema "Renovar o Montepio" e que Bagão Félix integra, instaurou um procedimento cautelar na Unidade Central da Comarca de Lisboa solicitando a suspensão do processo eleitoral.

Os requerentes "mais não pretendem do que ver assegurada a legalidade do sistema eleitoral, de modo a que o mesmo decorra de forma justa e transparente, assegurando a todos os candidatos igualdade de oportunidades e de tratamento", lê-se na providência cautelar a que a agência Lusa teve acesso.

Questionado sobre se já há novidades sobre este processo judicial, Bagão Félix diz que ainda se aguardam os seus desenvolvimentos. "Não foi de ânimo leve que se interpôs essa providência cautelar. Foi porque, repito, alegadamente, há situações que ferem o princípio da igualdade de oportunidades das várias listas, nomeadamente, no conhecimento do universo eleitoral, no envio de mensagem, na própria colaboração aparente de funcionários do sector bancário do grupo relativamente a sócios da associação mutualista, enfim, há aspetos que aparentemente estão a violar as regras estatutárias, éticas, deontológicas e eleitorais", vinca.

E reforça: "Nós, neste caso a lista D, mas penso que todos, estamos interessados em eleições que não sejam polémicas. Pelo contrário, queremos que haja um vencedor mas que seja um vencedor verdadeiro e que promova a renovação, sob todos os pontos de vista, da associação mutualista agora que ela está separada, e bem, da Caixa Económica Montepio Geral".

As queixas sobre o processo eleitoral no Montepio não são exclusivas da lista D, já que, na passada quarta-feira, o mandatário da lista E, Carlos Marques, entregou na comissão eleitoral um protesto formal contra "os atropelos e as ilegalidades que estão a falsear" as eleições para o grupo mutualista.

Na passada sexta-feira, questionado pela Lusa sobre as críticas das outras listas candidatas às eleições do Montepio, António Tomás Correia, que se recandidata à frente da lista A às eleições de 2 de dezembro, desvalorizou-as. "Isto é mero fogo de artifício. Qualquer dos representantes das listas sabe que este é um processo muito rigoroso, decorre dos estatutos, está de acordo com a lei, está perfeitamente auditado e é devidamente acompanhado por juristas e auditores independentes e não oferece qualquer dúvida a ninguém", afirmou o responsável.

Bagão Félix escusa-se a aprofundar o jogo de palavras, considerando que o diálogo em torno do processo eleitoral do MGAM deve ser construtivo. "Não gosto de ripostar a expressões desse tipo que não me parecem as mais adequadas. Não é o meu estilo usar expressões que secundarizem ou que ponham em causa a idoneidade das pessoas", remata.

As eleições para os órgãos sociais da Associação Mutualista Montepio Geral, para o triénio 2016/2018, marcadas para 2 de dezembro, estão a ser disputadas por quatro listas que concorrem a todos os órgãos sociais e uma que concorre apenas ao Conselho Geral.

As quatro listas que concorrem a todos os órgãos sociais do grupo são dirigidas pelo atual presidente do grupo, Tomás Correia, ("Montepio para todos"), pelo economista Eugénio Rosa, ("Segurança, transparência, confiança na gestão do Montepio: Defender o mutualismo"), pelo gestor António Godinho ("Renovar o Montepio") e por Luís Alberto Silva ("Vote: O Montepio é Seu!").

Já a lista "Por um Montepio Mais Forte e Democrático, com uma Caixa Económica mais ética", encabeçada por Manuel Ferreira, está a concorrer apenas ao conselho geral.