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“Juros da dívida portuguesa pegaram fogo”

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Apesar de estarem hoje a subir ligeiramente, os juros da dívida soberana portuguesa a 10 anos mantêm-se abaixo do nível a que estavam na altura das eleições legislativas. Desde o pico da crise política recente, os juros da dívida já recuaram mais de 50 pontos base. "Pegaram fogo", diz David Schnautz, estratega do Commerzbank.

Os juros da dívida soberana portuguesa seguem hoje a subir ligeiramente, em linha com os dos restantes países da zona euro, mas mantêm-se abaixo do nível a que estavam na véspera das eleições legislativas.

Alguns analistas apontam que há uma maior confiança de que o novo governo deverá prosseguir com a consolidação orçamental no país. Por outro lado, Portugal deverá continuar muito suportado no facto de poder continuar a beneficiar da compra de dívida por parte do Banco Central Europeu.

Hoje, as yields da dívida soberana dos países da zona euro seguem ligeiramente em alta, depois da queda registada na semana passada a antecipar um movimento agressivo do BCE esta quinta-feira. As expectativas apontam para um aumento das medidas de estímulo.

Os juros das Obrigações do Tesouro (OT) portuguesas a 10 anos transacionam em 2,32% no mercado secundário, uma subida de 2 pontos base, em linha com a subida verificada nas yields da dívida dos países da região, que oscila entre 1 e 3 pontos base.

Desde o pico da crise política, que ameaçou o rating de investimento de Portugal, colocando os juros da dívida a 10 anos nos 2,85% no dia 9 de novembro, as yields recuaram 53 pontos base. Os juros mantêm-se longe do máximo do ano de 3,3% registados em meados de junho.

"Nos mercados das obrigações soberanas, as yields portuguesas a 10 anos já negoceiam no valor igual ao observado nas eleições legislativas, evidenciando a tranquilidade dos investidores relativamente à capacidade do executivo empossado de manter o esforço de consolidação orçamental capaz de garantir o cumprimento das obrigações para com os credores", diz Pedro Ricardo Santos, gestor da corretora XTB Portugal numa análise.

Para David Schnautz, diretor e estratega do Commerzbank, desde o dia 13 de novembro, quando a agência de notação DBRS manteve o rating de investimento de Portugal, bem como as perspetivas estáveis, "os juros da dívida soberana português pegaram fogo".

"As yields da dívida a 10 anos desceram 50 pontos base e os spreads versus Espanha e Itália estreitaram cerca de 27 pontos base e 16 pontos base, respetivamente", afirma.

Frisa que "as OT portuguesas a 10 anos de outubro de 2025 desceram para 2,3%, abrindo a porta para testar os 2%".

"Tudo isto apesar da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública ter reaberto esta linha na semana passada e com a situação política a não ser certamente a melhor, de um ponto de vista do investidor. Mostra a importância de Portugal ser elegível para o programa do BCE e não o facto de os investidores estarem a festejar a política mais branda em termos de austeridade/reformas em Portugal", aponta Schnautz.

O novo governo socialista, liderado por António Costa, tomou posse na passada quinta-feira, sustentado num acordo parlamentar com os partidos de esquerda, vindo substituir o anterior Executivo de centro-direita que venceu as eleições com minoria e viu ser rejeitado o seu programa de governo na Assembleia da República.