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Juros da dívida desceram em novembro nos periféricos. Destaque para Portugal e Grécia

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Os juros das Obrigações do Tesouro português caíram de 2,5% no final de outubro para 2,3% no final de novembro. Foi a segunda maior queda entre os periféricos, depois da Grécia. Nível de juros em Portugal é agora sensivelmente idêntico ao anterior às eleições legislativas

Jorge Nascimento Rodrigues

O mês de novembro ficou marcado por uma trajetória de descida no mercado secundário das yields da dívida obrigacionista dos membros da zona euro. No caso das Obrigações do Tesouro português (OT) no prazo de referência, a 10 anos, as yields desceram 21 pontos base de 2,54% no final de outubro para 2,33% no fecho desta segunda-feira, último dia de novembro. A maior descida, naquele prazo de referência, registou-se com as yields das obrigações gregas que caíram 45 pontos base de 7,95% para 7,50% durante o mês de novembro. A terceira maior descida ocorreu com as yields das obrigações irlandesas, que desceram 11 pontos base, ficando ligeiramente acima de 1%.

A turbulência política em torno dos resultados das eleições legislativas em Portugal que não deram uma maioria absoluta a nenhuma das duas principais forças políticas concorrentes (a coligação incumbente e o PS) acabou por não alterar a trajetória descendente nas yields e na Grécia o governo acabou por conseguir fazer aprovar as ações prioritárias impostas pelo resgate no Parlamento, apesar de ter reduzido a sua maioria absoluta, baixando a pressão sobre a dívida helénica.

Esta segunda-feira registou-se uma sessão de subidas das yields na zona euro, com destaque para as obrigações gregas, espanholas e irlandesas, mas a trajetória mensal descendente não foi alterada. No caso das OT a 10 anos, as yields encontram-se, no final do mês, sensivelmente ao nível das registadas a 2 de outubro antes das eleições legislativas de 4 de outubro em Portugal. O nível mais baixo em novembro, em valores de fecho da sessão diária, verificou-se a 27 de novembro, com as yields a descerem para 2,3%, um nível que já não se verificava desde 15 de maio e que se verifica já depois da tomada de posse do novo governo chefiado por António Costa. E virtude da crise política pós-eleitoral, as yields chegaram a atingir um pico do mês em 2,85% a 9 de novembro antes da aprovação da moção de rejeição do governo de coligação.

Nos países do centro da zona euro há que destacar que, no prazo de referência, as yields desceram em novembro sete pontos base para as obrigações francesas que fecharam o mês em 0,8% e quatro pontos base para as obrigações alemãs que encerraram novembro em 0,48%.

O prémio de risco da dívida portuguesa reduziu-se em novembro em 17 pontos base, descendo de 202 pontos a 30 de outubro para 185 pontos em 30 de novembro. Ou seja, em relação ao custo de financiamento da dívida alemã, que serve de referência, o prémio no caso da dívida portuguesa desceu de mais de 2 pontos percentuais para 1,85 pontos percentuais.

Mas, quanto ao custo dos credit default swaps a 5 anos para a dívida portuguesa, ou seja o preço dos contratos para cobertura do seu risco de incumprimento, ainda se situam acima do fecho de outubro. A 30 de novembro, o custo era de 183,88 pontos base (o comprador paga cerca de 1,84% do valor a cobrir). A 13 de novembro atingiu um pico do mês de 221 pontos base.

À espera de Draghi

Uma parte importante da trajetória descendente nas yields da dívida obrigacionista é atribuída pelos analistas à expetativa de que o Banco Central Europeu (BCE) irá tomar novas medidas de estímulos monetários na reunião da próxima quinta-feira.

80% dos economistas inquiridos regularmente pela Bloomberg inclinam-se para um corte na taxa de remuneração dos depósitos bancários (que está em -0,2% e que se prevê que seja agravada para -0,3%) e para um prolongamento da data indicativa do fecho do programa de compras de dívida pública, segundo a última sondagem de 20 a 25 de novembro. Na mesma sondagem, 70% acham que o volume mensal de compras de ativos nos três programas em curso (atualmente em 60 mil milhões de euros) será aumentado e 50% são de opinião que haverá uma ampliação do leque de ativos a serem incluídos nas compras.

No caso da taxa de remuneração dos depósitos passar para -0,3%, isso arrastará para o perímetro de obrigações elegíveis para compra pelo BCE um montante de dívida de cerca de 350 mil milhões de euros que, atualmente, regista yields no mercado secundário entre -0,2% e -0,3%, segundo cálculos da Bloomberg. A taxa de remuneração dos depósitos serve de referência ao limite de juros negativos relativos a obrigações de 2 ou mais anos que são elegíveis.

  • Apesar de estarem hoje a subir ligeiramente, os juros da dívida soberana portuguesa a 10 anos mantêm-se abaixo do nível a que estavam na altura das eleições legislativas. Desde o pico da crise política recente, os juros da dívida já recuaram mais de 50 pontos base. "Pegaram fogo", diz David Schnautz, estratega do Commerzbank.

  • São seis os países membros da zona euro que se financiam com taxas de juro negativas que excluem essa dívida do programa de compras do BCE. No mercado obrigacionista antecipa-se que o presidente do BCE anunciará um alargamento do âmbito das compras em função de um agravamento na taxa negativa de remuneração dos depósitos