Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Abengoa em risco de se tornar a maior falência da história espanhola

  • 333

CRISTINA QUICLER / AFP / Getty Images

Com um passivo de mais de 20 mil milhões de euros e 24 mil trabalhadores, a gigante espanhola das energias renováveis ameaça tornar-se a maior falência da história de Espanha

Altamente endividada devido aos investimentos nas renováveis que fez em vários países do mundo, a Abengoa entrou há um ano numa crise de credibilidade. Nos últimos dias, conta o "Jornal de Negócios", têm-se multiplicado os apelos dos partidos políticos, governo e executivo andaluz para que os bancos encontrem uma solução para salvar o grupo industrial.

Espanha está perplexa com a possibilidade de a Abengoa, um grupo com quase 75 anos de história, e que ainda a meio deste ano apresentou uma subida do lucro semestral, estar à beira de colapsar. Decisões erradas e a falta de prudência financeira são as razões apontadas para o desastre. A Abengoa endividou-se para avançar com o seu projeto de internacionalização até a níveis considerados insuportáveis. O grupo está presente em 80 países. A desistência da Gestamp na intenção de investir 350 milhões de euros precipitou a queda do grupo. A Gestamp era vista como uma solução salvadora, agora caiu por terra.

Em dois dias as ações da Abengoa, grupo com sede em Sevilha, desvalorizaram 70%. O grupo tem quatro meses para encontrar uma solução. O passivo total da Abengoa ascende a 25 mil milhões de euros, dos quais quase 9 mil milhões de euros são dívidas a instituições de crédito e 5,5 mil milhões de euros a fornecedores. Tem ainda obrigações emitidas no valor de 2,7 mil milhões de euros. Os problemas da multinacional começaram em novembro de 2014.

Em maio deste ano, Manuel Sánchez Ortega, um dos presidentes-executivos mais bem pagos da bolsa espanhola em 2013, deixou a liderança da Abengoa. Em julho, o grupo anunciou um aumento de 5% dos resultados líquidos para 72 milhões de euros. A sucessão de acontecimentos que aceleraram a queda precipitaram-se em agosto, mês em que a empresa anunciou um aumento de capital de 650 milhões de euros, no âmbito de um plano para reduzir a sua dívida e vender ativos. Adicionalmente, o grupo anunciava um plano de desinvestimento de 500 milhões de euros.

Em setembro, a crise da Abengoa faz rolar a cabeça do seu presidente Felipe Benjumea, há 25 anos no cargo. Uma saída exigida pela banca para apoiar uma solução para o grupo, altamente endividado e a perder credibilidade nos mercados. A Abengoa concordou deixar de pagar dividendos e aceitou vender ativos no valor de 1,2 mil milhões de euros. Estão à venda operações no Brasil, México, Argélia, Gana, Africa do Sul e Emiratos.

A família Benjumea, que controlava a empresa através da Inversión Corportativa, não teve capacidade de ir ao aumento de capital, Perdeu o controlo da companhia fundada pelo patriarca, Benjumea Puigcerver, há quase 75 anos, para fabricar contadores elétricos.