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Mercedes vende mais 33% em Portugal

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DANIEL ROLAND/ Getty images

Nos 10 primeiros meses de 2015, a marca alemã cresceu mais no mercado nacional, em termos percentuais, que nos países onde tem maior potencial. Em Portugal tem uma das maiores quotas a nível mundial

Apesar de ser uma marca que produz automóveis de um segmento alto, a Mercedes-Benz teve o maior crescimento entre as quatro marcas mais vendidas no mercado português, no acumulado de janeiro a outubro de 2015. Segundo dados oficiais, regista um aumento homólogo de 33%, que é superior ao dobro do crescimento médio de vendas que a marca teve em todo o mundo neste período, que foi de 14,6%.

O crescimento acumulado das vendas da Mercedes no mercado nacional superou inclusivamente o ritmo a que a marca alemã está a crescer num dos seus mercados de maior potencial, que é o da China, onde teve um aumento de 32,1% de janeiro a outubro.

Assim, nos dez primeiros meses deste ano, a Mercedes vendeu em Portugal 11.536 veículos ligeiros de passageiros, ocupando o quarto lugar geral. Surge logo a seguir à Peugeot (que ocupa o terceiro lugar no ranking nacional), e à Volkswagen (que ficou em segundo lugar de janeiro a outubro, embora tenha caído para o quinto lugar nas vendas de outubro, por efeito do escândalo ‘dieselgate’). A Renault lidera o mercado português das vendas de automóveis ligeiros, com 17.132 veículos comercializados.

Segundo dados da ACAP — Associação Automóvel de Portugal, apenas 5596 veículos separam o volume de vendas de ligeiros de passageiros da Mercedes — que é uma marca premium —, das vendas efetuadas pela Renault, que é uma marca generalista.

Já em 2014, a Mercedes tinha batido um recorde de vendas no mercado português, registando, no acumulado dos 10 primeiros meses, um volume de vendas de 8672 veículos ligeiros de passageiros. Mas em 2015 suplantou as vendas de 2014, com mais 2863 carros vendidos entre janeiro e outubro que no período homólogo do ano passado.

O mentor da estratégia é Carsten Dippelt, que desde fevereiro de 2012 é o diretor-geral da empresa em Portugal, assumindo a responsabilidade direta pelas vendas e pelo marketing de automóveis.

Crescer, apesar da crise

Dippelt provou ao Grupo Daimler que, “com uma estratégia adequada, era possível fazer crescer vendas em Portugal”. Isto, apesar do país ter sido intervencionado pela troika, de ter um dos rendimentos per capita mais baixos da zona euro, de manter um salário mínimo “crítico”, continuar com altas taxas de desemprego e ter um número constante de recém-licenciados que todos os meses continuam a procurar emprego no estrangeiro.

Para entender esta evolução da Mercedes em Portugal é preciso ter em conta que Carsten é um dos “pesos pesados” da gestão da Mercedes-Benz. Integrou o Grupo Daimler em 1998 e já foi responsável sénior por todas as vendas da Mercedes na América Latina, tendo sido igualmente o gestor executivo do vice-presidente das vendas da Mercedes na sede do grupo, em Estugarda. Antes de vir para Portugal — onde, confessa, adora viver — Carsten Dippelt reorganizou todas as vendas da Mercedes nos mercados da Europa do Norte e Central.
Na sede da Mercedes-Benz Portugal, perto de Sintra, longe de destacar as virtudes do último superdesportivo da marca, centra-se na racionalidade dos novos modelos da Smart — uma marca que pertence ao grupo alemão.

“Queremos vender carros fiáveis, que continuem a ser do segmento premium, e que mantenham um elevado valor de retoma, mas o mais importante é que as pessoas consigam comprar os nossos carros”, diz Dippelt. Sempre defendeu que a Mercedes, tal como a Smart, precisa de ter uma imagem rejuvenescida, com motores de baixo consumo (entre os quais destaca o bloco diesel produzido pela Renault, com 1,5 litros de cilindrada), “pouco poluentes e com uma manutenção acessível a qualquer família”, refere.

Considera que não faz sentido que os Smart tenham motores diesel. “Os pequenos motores a gasolina gastam pouco e são mais leves, por isso servem perfeitamente para os Smart, além de que os novos motores diesel, com filtros de ureia e catalisadores de última geração iam encarecer os Smart, por isso foram excluídos destes modelos, permitindo que os novos Smart sejam vendidos a um preço mais baixo (o modelo anterior tinha uma versão a diesel), o que contribui para o aumento das suas vendas.” No mercado português, a Smart registou um aumento homólogo de 105,4% nas vendas acumuladas de janeiro a outubro de 2015, com 2218 veículos vendidos este ano. Só em outubro, o aumento homólogo foi de 175,5%.