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Estados do euro financiam-se a juros abaixo de 0%

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Onze países da moeda única atraem investidores dispostos a ‘pagar’ para adquirir dívida pública. Alemanha lidera

Uma das consequências da viragem em março do Banco Central Europeu (BCE) para a aquisição de dívida pública dos países do euro foi a ampliação progressiva do número de países e de prazos com juros abaixo de 0%. Segundo dados da Investing.com, são 11 os membros da zona euro com juros negativos em bilhetes e obrigações do Tesouro, incluindo Portugal na dívida a 3, a 6 e a 12 meses. Ficam de fora deste clube a Eslovénia, Grécia, Letónia e Lituânia, economias que são consideradas mercados emergentes ou de fronteira. Chipre, Estónia, Luxemburgo e Malta não estão incluídos nos dados da Investing.com. Segundo a Bloomberg, a dívida pública na zona euro com taxas negativas supera dois biliões de euros, um terço do total.

Três países lideram o número de prazos abrangidos por juros negativos. Alemanha, Finlândia e Holanda registam taxas abaixo de 0% até ao prazo de seis anos inclusive. Neste prazo, o Tesouro alemão está com um juro negativo de -0,108%, uma taxa ainda mais negativa do que o Estado português pagou, recentemente, a 18 de novembro, em dois leilões de Bilhetes do Tesouro a 6 e 12 meses. O Tesouro nacional conseguiu -0,025% e -0,006% respetivamente. Há um fosso enorme no “clube” dos juros negativos.

Entre os periféricos da zona euro, incluindo os membros mais recentes do euro na expansão a Leste, Portugal só consegue taxas negativas na dívida de muito curto prazo. Esta semana, a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) emitiu €995 milhões a 10 anos com uma taxa de 2,4294%, acima da registada na operação similar anterior em outubro, em que pagou 2,3975%.

Juros negativos na remuneração da dívida significam que os investidores se dispõem a ‘pagar’ para comprar dívida, quer por acharem que se trata de valores de refúgio face à incerteza (como é tradicionalmente o caso dos títulos alemães) quer por terem alta expectativa de poderem, depois, vender os títulos ao BCE no mercado secundário ou até por serem fundos que replicam índices e, por isso, terem de incluir estes ativos. O BCE adquire dívida a partir de dois anos e inclui qualquer título sempre que o juro negativo não for inferior a -0,2% (o referencial dado pela remuneração dos depósitos dos bancos comerciais nos cofres do banco central). Neste momento há seis países do centro da zona euro que registam títulos em prazos de dois a quatro anos com juros mais negativos do que esse limite — Alemanha, Áustria, Bélgica, Finlândia, França e Holanda. O que tem gerado a expectativa de que a equipa de Mario Draghi decida mexer naquele limite.