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Comboios querem poupar 70 mil milhões de dólares em emissões poluentes

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Há 70 companhias ferroviárias, que ontem, em Paris, assumiram o compromisso de até 2050 reduzir emissões poluentes, aumentando significativamente a eletrificação de linhas

Depois do descrédito da cimeira ambiental de Copenhaga – realizada em 2009, e em que a maior parte dos intervenientes chegaram no fim do programa – a proposta que o sector ferroviário apresenta para a nova cimeira agendada para a próxima semana em Paris pretende seguir um cronograma rigoroso em que o objetivo será obter poupanças superiores a 70 mil milhões de dólares até 2050 pela reduções de emissões de CO2 e de Nox.

A proposta foi avançada ao Expresso pelo presidente da União Internacional dos Caminhos de Ferro (UIC), Jean-Pierre Loubinoux, durante uma conferência de imprensa inaugural da cimeira “Train to Paris”, realizada para os jornalistas portugueses.

Mas esta meta será credível e não está muito distante das reduções de emissões efetuadas de 1990 até à data? O presidente da UIC diz que o objetivo é credível e que muito foi feito até ao dia de hoje. A prova do compromisso assumido no âmbito da Cimeira do Clima, é que já há 70 empresas ferroviárias oriundas de 20 países diferentes que assinaram ontem, sábado, ao fim do dia, na sede da UIC, em Paris, em frente à torre Eiffel.

Para estas grandes empresas ferroviárias, isto significara cortar cerca de 75% das emissões de CO2 e NOx que produzem na sua atividade, o que só conseguirá ser alcançado com um significativo aumento das linhas eletrificadas.

Abandono das locomotivas a diesel

Em termos práticos, este acordo implica o abandono de muitas locomotivas diesel que hoje ainda continuam a ser utilizadas sobretudo no transporte de mercadorias.

Esta meta, e o compromisso assinado, envolve todos os sistema de transporte que circulam sobre carris, desde os sistemas metroviários – os metros de superfície e os designados vaivéns, ou shuttles, nem como os tradicionais comboios de montanha, muitos deles com tração apoiada em sistemas de cremalheira, que utilizam motorizações diesel.

O Expresso insistiu e perguntou a Jean-Pierre Loubinoux se não seria uma meta muito ambiciosa? “Discordo dessa perspetiva porque desde 1990 todo o sector dos transportes ferroviários conseguiram cortar cerca de 40% das emissões de CO2 e de NOx que mantinham, sendo atualmente muito mais eficientes, com consumos mais racionais e muito mais amigos do ambiente”, referiu, argumentando que “os atuais comboios facilmente conseguem transportar cerca de mil passageiros, o que equivale a mais de 20 autocarros e a cerca de 500 automóveis, o que corresponde a um benefício ambiental que ninguém pode negar e que representa uma grande evolução no sector ferroviário”.

16 mil empregos por ano

Jean-Pierre Loubinoux dá como exemplo a linha ferroviária entre San Diego e São Francisco, que além dos ganhos ambientais no que implicará a transferência de transporte de mercadorias da rodovia para a ferrovia, também terá um peso considerável na criação de postos de trabalho, pois, diz, “estre projeto prevê a criação de 16 mil empregos por ano”.

Outros grandes países como a China que tem em curso um programa de infraestruturas de construção de redes ferroviárias terá um papel relevante na meta da poupança de 70 mil milhões de dólares com reduções de emissões poluentes, pois só no mercado chinês serão construídos 10 mil quilómetros em novas linhas ferroviárias.