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Bolsas mundiais registam semana negativa. Nova Iorque escapa

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Derrocada bolsista na China na sexta-feira traz à memória crise do verão. Ásia perde mais de 1% durante a semana. Europa perde apenas 0,2% e EUA e PSI 20 registam ganhos. Subida ligeira do preço do barril à espera da cimeira do cartel petrolífero na próxima semana

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas registaram à escala mundial uma perda de 0,33% durante a semana, segundo o índice MSCI. Uma inversão significativa em relação aos ganhos de cerca de 2,9% na semana anterior. A última semana de novembro registou perdas de mais de 1% na Ásia, mais de 2% nos mercados emergentes, mais de 2,6% nos mercados de fronteira e apenas 0,2% na Europa, de acordo com os índices MSCI.

O índice PSI 20 da Bolsa de Lisboa registou ganhos de quase 1% durante a semana, em contra corrente à trajetória na Europa. Também o índice Eurostoxx 50 (das 50 principais cotadas da zona euro) registou um ganho semanal de 1,02%, com a VW e a Daimler alemãs a liderarem os ganhos.

Nos índices “regionais” MSCI, só os Estados Unidos registaram ganhos ligeiros de 0,11%, quando na semana anterior aquele índice havia subido mais de 3%. A liderarem os ganhos semanais no índice S&P 500 ficaram a Tyson Foods e a Hormel Foods com subidas superiores a 10%. Entre as 30 cotadas do Dow Jones, o melhor desempenho semanal foi para a Home Depot, com uma subida de quase 3,5%.

Black Friday na China

A semana acabou por ficar marcada por uma sexta-feira negra na China, com as bolsas locais a registarem uma derrocada superior a 5%, fazendo recordar a crise do verão que assustou os mercados financeiros, tornando o “fator China” num dos riscos de 2015. O regulador de mercados chinês tem sob investigação três dos principais intermediários financeiros do país. A derrocada de sexta-feira provocou ondas de choque na Ásia, na Europa e nos emergentes.

A quebra bolsista de 27 de novembro é a oitava do ano na China em termos de perdas acima de 5%. As maiores quebras registaram-se a 27 de julho e 24 de agosto, com perdas superiores a 8%. Em termos de descida de capitalização bolsista, a derrocada de sexta-feira passada fica em sexto lugar. Na sexta-feira, por ironia Black Friday em termos de marketing comercial nos EUA, o índice composto de Xangai perdeu 5,48%, o de Shenzhen recuou 6,09%, e o CSI 300 (das 300 principais cotadas nas duas bolsas) caiu 5,38%.

No mercado de matérias-primas continuam a registar-se flutuações em função dos sinais que vêm da China e das previsões sobre a cimeira do cartel petrolífero, a OPEP, a 4 de dezembro, na próxima semana. Os índices de matérias-primas fecharam no negativo na sexta-feira, com o da Bloomberg a cair 1,42%, o da Reuters (CRB) a recuar 1,32% e o da S&P GSCI a descer 1,87%. Em termos semanais, o balanço foi “misto”. Os índices CRB e S&P GSCI registaram ganhos de 0,86% e 1,86% respetivamente, e o da Bloomberg perdeu 0,4%.

Na sexta-feira, a divulgação de que os lucros do sector industrial chinês em outubro caíram pelo quinto mês consecutivo, registando inclusive uma aceleração na queda (-4,6% em outubro face a -0,1 em setembro) provocou um sentimento negativo nos mercados financeiros.

Intervenção verbal saudita

Quanto à cimeira da OPEP, os analistas dividem-se. De um lado, os que acham que a Arábia Saudita acabará por aceitar um corte no teto oficial de produção diária do cartel (30 milhões de barris), que permitirá uma subida dos preços do barril para uma “zona de conforto” entre 60 a 80 dólares que satisfará outros membros do cartel e outros exportadores de fora que têm sofrido com a queda de preços desde junho de 2014. Do outro, os que sublinham que a Arábia Saudita não abandonará a sua estratégia de manter excesso de oferta mundial até que “eles vão abaixo” – “eles” são os produtores norte-americanos de petróleo a partir do xisto, os líderes da chamada revolução do shale oil.

Fruto de mais uma “intervenção verbal” – como a designou o analista Ole Hansen do Saxo Bank no Financial Times – dos sauditas, falando, esta semana, da sua disponibilidade para cooperar com os restantes membros da OPEP e com parceiros fora do cartel (leia-se Rússia) no sentido de uma “estabilidade do mercado”, o preço do barril de petróleo subiu ligeiramente durante a semana.

No caso do Brent para entrega em janeiro, passou de 44,66 dólares a 20 de novembro para 44,87 dólares no fecho a 27 de novembro. A 24 e 25 de novembro chegou a registar subidas para o patamar dos 46 dólares. O preço do Brent atingiu, em valor de fecho, um mínimo do ano, de 42,69 dólares, a 24 de agosto, no auge da crise bolsista chinesa. A 16 de novembro caiu, durante a sessão, para 43,15 dólares. Em termos de futuros, o Brent só ultrapassa o limiar dos 50 dólares no barril para entrega em setembro de 2016.

O impacto de preços baixos do barril é distinto. Beneficia os países importadores líquidos e os consumidores de combustíveis; prejudica os exportadores líquidos com contas públicas e externas mais frágeis e altamente dependentes do ouro negro. A queda dos preços do barril tem um peso significativo no proceso de desinflação (descida da taxa de inflação), e mesmo de deflação (inflação negativa), "importada", ao empurrar para baixo sistematicamente a taxa de inflação - a previsão da taxa de inflação para 2015 na zona euro é de 0,1%.

Estes níveis de "baixaflação" - como chama o Fundo Monetário Internacional - afastam os bancos centrais das economias desenvolvidas, sobretudo o Banco Central Europeu, o Banco do Japão e o Banco de Inglaterra, das suas metas de política monetária que apontam para um patamar de 2% de inflação. A persistência desta inflação perto de 0% já levou Mario Draghi, presidente do BCE, a dizer, a 20 de novembro, que "faremos o que for preciso para que a inflação aumente o mais rapidamente possível".