Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Sérgio Monteiro recusa prémio além dos €30 mil que ganha para vender Novo Banco

  • 333

Alberto Frias

Antigo secretário de Estado de Passos Coelho foi contratado para liderar a venda do Novo Banco. A remuneração é paga pelo Banco de Portugal e igual à que recebia na Caixa BI antes de ir para o Governo. Monteiro recusou receber um prémio de sucesso.

Sérgio Monteiro pediu ao Banco de Portugal para receber o mesmo ordenado que auferiria caso voltasse para a Caixa BI. Ao ex-secretário de Estado foi ainda oferecido pelo Banco de Portugal a hipótese de receber um prémio de sucesso pela venda do Novo Banco, algo que foi recusado pelo gestor.

O jornal “Público” escreve esta sexta-feira, que Sérgio Monteiro vai auferir uma remuneração mensal de 30 mil euros pelo seu trabalho como responsável pelo processo de venda do Novo Banco.

Segundo o matutino, em causa está um contrato de 12 meses que foi assinado entre o antigo secretário de Estado dos Transportes do Governo de Passos Coelho e o Fundo de Resolução, acionista do Novo Banco. A remuneração será paga pelo Banco de Portugal e as responsabilidades com a Segurança Social serão atribuídas ao Fundo de Resolução, diz ainda o “Público”.

De acordo com informações avançadas pelo mesmo jornal, as condições do contrato de prestação de serviços em causa foram aprovadas esta semana pelo conselho de administração do Banco de Portugal. Sérgio Monteiro tem agora 12 meses para completar a tarefa; no total, vai receber 250 mil euros brutos.

O Expresso apurou que durante a negociação das condições do contrato foi proposto ao antigo secretário de Estado o pagamento de um prémio adicional de sucesso ligado ao valor de venda do Novo Banco. No entanto, Sérgio Monteiro terá recusado prontamente a ideia, preferindo receber apenas o mesmo salário que recebia na Caixa BI quando foi para o Governo.

Monteiro foi o eleito para liderar o processo por decisão do Banco de Portugal e da Associação Portuguesa de Bancos. Na altura, o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, argumentou que a decisão recaíra no antigo secretário de Estado por ser necessário “encontrar um responsável de reconhecido mérito e elevada experiência em operações desta natureza, que pudesse assegurar a coordenação e gestão de toda a operação”. Carlos Costa considerou que o processo seria dotado de uma elevada “complexidade”.

Recorde-se que o anterior processo de venda do Novo Banco, iniciado no final de 2014, previa que a instituição bancária fosse vendida por 4900 milhões de euros (o mesmo valor que lhe foi injetado), mas chegou ao fim sem desfecho final de compra. O processo reiniciou-se e o nome de Sérgio Monteiro saltou para a baila.

O homem que esteve à frente, por exemplo, da privatização da TAP do lado do Governo, bem como da ANA Aeroportos, e que ainda procedeu às concessões a privados de empresas de transportes públicos, era administrador da Caixa - Banco do Investimento, do grupo Caixa Geral de Depósitos (CGD), antes de Pedro Passos Coelho o convidar para o Ministério da Economia em 2011. Quando saiu do primeiro Governo PSD/CDS deveria voltar à CGD, mas em vez disso foi escolhido para liderar o processo de venda do Novo Banco.

[Texto atualizado às 9h37]