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Juros da dívida abaixo de 2,4%

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Os juros das Obrigações do Tesouro a 10 anos no mercado secundário prosseguem a trajetória de descida para níveis próximos aos registados antes das eleições legislativas de outubro. Os juros portugueses são os que mais descem entre as obrigações dos periféricos nesta abertura de quinta feira

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields das Obrigações do Tesouro português (OT) a 10 anos continuam a trajetória de descida dos últimos dias. Na abertura da sessão de quinta-feira no mercado secundário da dívida soberana na zona euro, as yields das OT naquele prazo de referência desceram para 2,4%, estando, pelas 8h45 (hora de Portugal), em 2,36%, apenas dois pontos base acima do nível registado a 2 de outubro antes das eleições legislativas em Portugal.

A descida nas yields das OT é, hoje na abertura do mercado de dívida, a mais elevada entre as obrigações dos periféricos. No caso das obrigações gregas, as yields estão em alta, ao contrário do que sucede com os restantes periféricos.

A descida nas yields das OT no mercado secundário regista-se depois do Tesouro português ter ido ao mercado obrigacionista colocar na quarta-feira 995 milhões de euros em dívida a 10 anos pagando uma taxa de remuneração de 2,4294%, e a poucas horas da tomada de posse do governo do PS chefiado por António Costa que disporá de apoio parlamentar maioritário na Assembleia da República.

A expetativa nos mercados financeiros de que o Banco Central Europeu (BCE) ampliará os estímulos monetários na próxima reunião a 3 de dezembro, daqui a uma semana, tem alimentado a trajetória recente de descida do custo de financiamento da dívida soberana, depois de resolvida a crise grega do verão.

Riscos no ar

Apesar da atenuação do impacto do risco político relacionado com a vaga terrorista recente e da desdramatização do incidente entre a Turquia e a Rússia que poderia fazer disparar o risco geopolítico, o BCE alertou na quarta-feira para um risco nos próximos dois anos de inversão brusca dos prémios de risco à escala global, que poderá contagiar a zona euro, e em particular os periféricos mais endividados quer em termos privados como públicos.

Também, o presidente da Comissão Europeia avisou ontem que, se o sistema Schengen colapsar, o euro ficará em risco. “Uma moeda única não faz sentido se Schengen falhar. Schengen não é um conceito neutro como devem saber. Não é banal. É um dos principais pilares da construção da Europa”, disse Jean-Claude Juncker no Parlamento Europeu que se reuniu em Estrasburgo.

  • O Tesouro português regressou esta quarta-feira ao mercado obrigacionista emitindo dívida a 10 anos com maior procura do que na emissão similar anterior, realizada a 14 de outubro, mas pagando uma taxa superior aos investidores, de 2,4294%, em linha com a evolução no mercado secundário