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Risco externo pode contagiar zona euro

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BCE avisa para um risco global de inversão brusca dos prémios de risco que poderá contagiar a zona euro nos próximos dois anos. O acidente poderá ocorrer em virtude da convergência em breve do impacto do abrandamento da China com a subida das taxas de juro pela Fed nos EUA

Jorge Nascimento Rodrigues

Se a Reserva Federal norte-americana (Fed) aumentar as taxas de juro mais rapidamente do que o esperado e se o abrandamento da economia chinesa voltar a surpreender, pode ocorrer nos próximos dois anos uma revisão global abrupta dos prémios de risco das dívidas, uma mudança brusca focada nas economias emergentes mais endividadas em divisas estrangeiras. Esse risco é ampliado em virtude de uma baixa liquidez no mercado secundário.

Mas o problema é que essa inversão brusca pode contagiar a zona euro, apesar de esta, até à data, se ter mostrado resiliente a ocorrências ocasionais de volatilidade gerada por esses fatores externos bem como pela crise grega do verão, diz o relatório semestral do Banco Central Europeu (BCE) sobre estabilidade financeira (Financial Stability Report) publicado esta quarta-feira. Em suma, a zona euro está ameaçada pelos riscos externos que no verão tiveram um expoente na correção no mercado bolsista da China.

O risco tornou-se mais “pronunciado”, e, por isso, o BCE subiu para o nível “médio” a avaliação de risco de instabilidade global dos mercados financeiros. Os ativos com maiores valorizações correm um risco ainda maior de correção e também os membros da moeda única com níveis de dívida privada e soberana mais elevados. Como sublinha o relatório, há um risco potencial de uma subida de preocupação com a sustentabilidade da dívida no sector público e no sector privado não financeiro de economias da moeda única face a um contexto de crescimento nominal fraco na zona euro.

O relatório chama ainda a atenção para o risco potencial que advém do sistema financeiro sombra formado por intermediários financeiros não bancários. “A dimensão, a interligação e a opacidade sugerem que está a aumentar o potencial para impactos sistémicos por parte deste sector”, sublinha o relatório. Ainda que os bancos da zona euro continuem a registar uma exposição direta limitada às economias emergentes fora da Europa, essa exposição tem aumentado gradualmente no sector dos fundos de investimento europeus.

Em relação ao sector bancário propriamente dito, a Autoridade Bancária Europeia referiu na terça-feira que, em junho, o crédito mal parado nos 105 principais bancos da União Europeia atingiu 1 bilião de euros, 7,3% do PIB da região. E esse ponto fraco é, também, sublinhado pelo relatório do BCE.