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Portugal coloca €995 milhões pagando mais juros

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O Tesouro português regressou esta quarta-feira ao mercado obrigacionista emitindo dívida a 10 anos com maior procura do que na emissão similar anterior, realizada a 14 de outubro, mas pagando uma taxa superior aos investidores, de 2,4294%, em linha com a evolução no mercado secundário

Jorge Nascimento Rodrigues

O Tesouro português regressou esta quarta-feira ao mercado obrigacionista, reabrindo a linha de Obrigações do Tesouro (OT) com vencimento em outubro de 2025, registando uma procura superior à verificada na emissão similar anterior, realizada a 14 de outubro, mas pagando uma taxa de remuneração superior.

No leilão realizado esta manhã, o IGCP, a Agência de Gestão de Tesouraria e da Dívida Pública portuguesa, colocou 995 milhões de euros pagando uma taxa de 2,4294%, acima da registada na operação similar anterior em outubro, em que pagou 2,3975%. O montante colocado ficou ligeiramente abaixo do teto superior do intervalo fixado para a operação entre 750 e 1000 milhões de euros, mas registou uma procura de 1,91 vezes superior à colocação.

A taxa paga na operação no mercado primário está em linha com a trajetória descendente na manhã desta quarta-feira das yields das OT a 10 anos no mercado secundário que, pela hora do leilão, haviam descido de 2,52% na abertura para 2,43%.

Trata-se da segunda operação de dívida obrigacionista a 10 anos depois das eleições legislativas de 4 de outubro e da primeira depois da queda do governo de coligação a 10 de novembro e da indicação ontem do líder da Oposição para formar governo.

Na operação anterior, a 14 de outubro, o IGCP colocou 950 milhões de euros pagando uma taxa de 2,3975% e registando uma procura no leilão de 1,62 vezes o montante colocado. Na operação anterior similar no início do ano, realizada em fevereiro, o Tesouro havia colocado cerca de 1,5 mil milhões de euros pagando uma taxa de 2,041%.

A taxa de remuneração tem subido nas operações obrigacionistas em linha com a evolução no mercado secundário em que se registou um mínimo histórico nas yields em março (1,5%, no prazo das OT 10 anos) e uma inversão da trajetória a partir dessa altura com flutuações ao sabor de ocorrências marcantes como a crise grega do verão que provocou um contágio temporário que fez subir as yields para máximos do ano (mais de 3% em junho). Depois de uma subida para 2,9% durante a sessão de 9 de novembro (nas vésperas da rejeição do programa do governo de coligação no Parlamento português), as yields das OT a 10 anos têm estado em trajetória de descida, contagiadas pela expetativa de novas medidas de estímulos monetários na reunião do Banco Central Europeu a 3 de dezembro. O prémio de risco da dívida portuguesa é, agora, inferior a 2 pontos percentuais.

Esta quarta-feira, o Tesouro alemão colocou 2077 milhões de euros em obrigações a 10 anos pagando uma taxa média de remuneração de 0,49%, em linha com as yields registadas no mercado secundário, e acima da paga em emissão similar anterior (0,44%).