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Juros da dívida em queda na zona euro. Dez países com juros negativos

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Juros das obrigações gregas, portuguesas e irlandesas são os que mais desceram esta quarta-feira. Ampliou-se o número de membros do euro com juros negativos e em mais prazos. Juros das OT a 10 anos fecham em 2,43% em dia de emissão de dívida onde a taxa de remuneração foi similar

Jorge Nascimento Rodrigues

Com a aproximação da reunião de 3 de dezembro do Banco Central Europeu (BCE), acentua-se a trajetória de descida das yields da dívida soberana dos membros da zona euro no mercado secundário.

O custo de financiamento das obrigações no prazo a 10 anos desceu esta quarta-feira em todos os países da moeda única com destaque para três periféricos, registando-se reduções nas yields das obrigações gregas, que recuaram 14 pontos base mas continuam acima de 7,3%, nas Obrigações do Tesouro português (OT) que caíram 11 pontos base para 2,43%, e nas obrigações irlandesas que se reduziram em 10 pontos base fechando abaixo de 1%, o que já não se verificava desde maio.

No caso das OT a 10 anos, o nível das yields no fecho do mercado secundário foi similar à taxa de remuneração que se verificou no leilão de dívida realizado pelo Tesouro português na manhã de quarta-feira, onde foram colocados 995 milhões de euros pagando 2,4294%.

O prémio de risco dos periféricos desceu esta quarta-feira. No caso da dívida portuguesa, o prémio desceu para 196 pontos base, o equivalente a um diferencial de 1,96 pontos percentuais em relação ao custo de financiamento da dívida alemã.

O número de países membros da moeda única que registam yields negativas na sua dívida soberana ampliou-se esta quarta-feira, segundo os dados da Investing.com. Esta quarta-feira eram 10 os países do euro com taxas negativas em dívida de curto e médio prazo, em linhas de Bilhetes do Tesouro (BT) e de Obrigações, incluindo entre os periféricos e emergentes na zona euro, a Eslováquia (prazo a 2 anos), Espanha (de 3 meses a 2 anos), Irlanda (de 1 a 3 anos) e Itália (de 3 meses a 2 anos). Nos casos da Alemanha, Finlândia e Holanda, as yields negativas abrangiam obrigações até maturidades a 6 anos. Apesar da Investing não registar esta quarta-feira nenhuma yield negativa para dívida portuguesa, o Tesouro emitiu, a 21 de outubro e a 18 de novembro, BT a 3, a 6 e 12 meses com taxas de remuneração negativas.

A Reuters divulgou esta quarta-feira que é de 80% a probabilidade do BCE tomar um conjunto de medidas na próxima de reunião de 3 de dezembro ampliando os estímulos monetários, apesar das divergências manifestadas publicamente por parte de diversos membros do conselho de governadores e mesmo dentro da direção nas últimas semanas. A Reuters divulgou, também, um relatório referindo que o BCE tem em estudo 20 medidas distintas de estímulos monetários para discussão na reunião de dezembro. O BCE alertou hoje no seu relatório semestral sobre estabilidade financeira que nos próximos dois anos há possibilidade de uma inversão brusca dos prémios de risco à escala global e que poderá haver um contágio para a zona euro nomeadamente para os membros mais frágeis. Subiu o seu alerta para nível médio.

Também esta quarta-feira a agência de notação Standard & Poor’s, através do seu economista-chefe para a Europa, Médio Oriente e África, Jean-Michel Six, considerou que o BCE "se está a preocupar antes do tempo, dado que os programas de flexibilização quantitativa costumam precisar de tempo para gerar alguns resultados". A S&P entrou na vaga de críticas a uma opção do BCE por mais estímulos monetários na reunião de dezembro já na próxima semana.

  • BCE avisa para um risco global de inversão brusca dos prémios de risco que poderá contagiar a zona euro nos próximos dois anos. O acidente poderá ocorrer em virtude da convergência em breve do impacto do abrandamento da China com a subida das taxas de juro pela Fed nos EUA

  • O Tesouro português regressou esta quarta-feira ao mercado obrigacionista emitindo dívida a 10 anos com maior procura do que na emissão similar anterior, realizada a 14 de outubro, mas pagando uma taxa superior aos investidores, de 2,4294%, em linha com a evolução no mercado secundário