Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Juros da dívida em baixa à espera de leilão de obrigações a 10 anos

  • 333

No mercado secundário, os juros das Obrigações do Tesouro português a 10 anos desceram esta quarta-feira para 2,5%. IGCP regressa esta quarta-feira ao mercado obrigacionista com uma emissão a 10 anos

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields das Obrigações do Tesouro português (OT), no prazo de referência a 10 anos, desceram para 2,5% no mercado secundário pelas 8h30 (hora de Portugal). Regista-se um recuo de três pontos base em relação ao fecho de terça-feira, com as yields a regressarem ao nível do encerramento da semana passada. Estão ainda 16 pontos base acima do nível de fecho a 2 de outubro, antes das eleições legislativas, mas 35 pontos base abaixo do pico a 9 de novembro em 2,85%.

A descida ocorre depois da indicação na terça-feira de António Costa, líder do PS, para formar governo com apoio parlamentar maioritário na Assembleia da República após a rejeição a 10 de novembro do programa do governo anterior de coligação PSD/CDS.

No mercado secundário da dívida na zona euro, a trajetória dominante na abertura desta quarta-feira nas yields das obrigações dos periféricos é de descida (Espanha e Itália) ou manutenção (Irlanda e Grécia) do nível de fecho de terça-feira.

Portugal regressa esta quarta-feira de manhã ao mercado primário obrigacionista reabrindo uma linha de OT com vencimento em outubro de 2025. O IGCP, a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública, pretende colocar, através de leilão, 750 a 1000 milhões de euros em dívida a 10 anos.

É a segunda operação no mercado obrigacionista depois das eleições de 4 de outubro e a primeira após a indicação do líder do principal partido de Oposição para formar governo. Na operação de 14 de outubro, o Tesouro português colocou 950 milhões de euros pagando uma taxa média de remuneração de 2,397%, que havia sido superior a 2,04% registada em emissão similar anterior.

À espera do BCE

A trajetória do custo de financiamento da dívida soberana na zona euro tem estado em sentido descendente em virtude da alta probabilidade do Banco Central Europeu anunciar já na próxima semana, na reunião de 3 de dezembro, uma mexida substancial no quadro de política monetária, aumentando os estimulos.

Uma das consequências dessa tendência descendente é o aumento do número de países membros do euro que registam taxas negativas na remuneração das obrigações, ou seja, em que os investidores "pagam" para adquirir e manter esses títulos soberanos em carteira. No mercado secundário são sete os países nessa situação, incluindo um periférico, a Irlanda. A Alemanha lidera com taxas negativas até ao prazo de 6 anos inclusive. Segundo a Bloomberg, esse grupo representa 1/3 do valor da dívida obrigacionista, mais de 2 biliões de euros.

Esta expetativa tem neutralizado, por ora, a subida na Europa do risco político ligado à vaga terrorista, do risco geopolítico na sua proximidade (de que o episódio de abate de um avião russo pela Turquia, membro da NATO, na terça-feira é um exemplo recente) e inclusive do impacto negativo nos mercados financeiros que poderá ter o início do processo de subida das taxas de juro pela Reserva Federal norte-americana (Fed) na próxima reunião de 16 de dezembro. A probabilidade para uma tal decisão ocorrer em Washington já em dezembro aumentou, na terça-feira, para 78%, segundo a probabilidade implícita derivada da variação dos futuros das taxas de juro da Fed a 30 dias, monitorizada pela CME. No fecho da semana anterior registava 74%.