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Maria Luís acalmou o Eurogrupo. Por agora

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23 de novembro: Eurogrupo reuniu em Bruxelas apesar dos alertas de segurança. Maria Luís Albuquerque à conversa com o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem

GEORGES GOBET / AFP / Getty Images

A ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, falou esta segunda-feira de “viva voz” com os seus colegas do Eurogrupo. Parece que eles compreenderam o atraso de Portugal na entrega do plano orçamental . A reunião realizou-se em Bruxelas

A ministra das Finanças disse esta segunda-feira, no final de uma reunião do Eurogrupo, em Bruxelas, que os seus colegas compreenderam as justificações que teve oportunidade de dar, “de viva voz”, sobre o atraso na entrega do plano orçamental português. “Tive ocasião de explicar de viva voz que isso se deve à situação política que se vive atualmente no nosso país e que, logo que possível, será remetido para Bruxelas um projeto de orçamento, sendo que ‘esse logo que possível’ é algo que depende dos desenvolvimentos da situação política em Portugal”, apontou Maria Luís Albuquerque, em conferência de imprensa.

Segundo a ministra, “os membros do Eurogrupo perceberam” as explicações dadas. “Naturalmente que continuam a insistir para ser enviado (o plano de orçamento para 2016) o mais cedo possível, mas compreenderam a situação”, declarou.

A ministra reiterou que o Governo decidiu não apresentar um projeto orçamental por considerar que não tinha “condições para apresentar as perspetivas orçamentais para o próximo ano”, no contexto de eleições legislativas e do impasse que se seguiu, mas admitiu que “está em falta a entrega do documento”, que “terá que ser suprida logo que haja condições para tal”.

Portugal “em linha com défice abaixo dos 3%”

À entrada para a reunião de ministros das Finanças da zona euro, dedicada precisamente à análise dos projetos orçamentais dos Estados-membros, o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, insistiu que Portugal “tem que enviar um plano orçamental tão cedo quanto possível”.

“Já o deviam ter feito. Já estão atrasados, demasiado atrasados, devem fazê-lo o mais rapidamente possível”, apontou
Maria Luís Albuquerque admitiu que o Eurogrupo tem sido “insistente”, mas rejeitou que tenha sido utilizado um “tom duro. Foi se calhar, poder-se-á dizer, firme, no sentido de que Portugal o faça, para ser tido em conta no processo do semestre europeu” observou.

Maria Luís Albuquerque indicou ainda que reiterou, “perante todo o Eurogrupo”, que Portugal está “em linha com o objetivo de ter um défice abaixo de 3% este ano”, que expressou a sua satisfação por “verificar que as projeções da Comissão para o défice deste ano têm vindo gradualmente a aproximar-se” dos “números” do Governo. Questionada sobre se a meta para o défice estará em risco com a mudança de executivo, a ministra limitou-se a afirmar que “com um novo Governo, caberá ao novo Governo responder” a essa questão.