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Juros sobem, mas prémio de risco desce

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Os juros das Obrigações do Tesouro português no prazo a 10 anos fecharam a subir para 2,54% no mercado secundário, mas o prémio de risco desceu. Os contratos para cobertura de risco de bancarrota a 5 anos continuam a descer

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields das Obrigações do Tesouro português (OT) no prazo de referência, a 10 anos, fecharam esta segunda-feira no mercado secundário a subir para 2,54%, quatro pontos base acima do fecho de sexta-feira passada, e 20 pontos base em relação ao nível registado a 2 de outubro, antes das eleições legislativas portuguesas.

Este nível de yields das OT a 10 anos no mercado secundário da dívida poderá ser indicativo da taxa de remuneração média que poderá registar-se no mercado primário na quarta-feira de manhã no leilão da linha obrigacionista que vence em outubro de 2025 e que, na última operação a 10 de outubro, implicou a colocação de 950 milhões de euros pagando uma taxa média de 2,397% (superior à da operação realizada em fevereiro quando a taxa foi de 2,04%).

O movimento de subida das yields no prazo de referência estendeu-se, nos periféricos do euro, às obrigações italianas, irlandesas e gregas. As yields das obrigações espanholas ficaram sem alteração em relação ao fecho de sexta-feira.

No caso grego, as yields subiram durante a sessão 37 pontos base, fechando em 7,47%, apesar do Mecanismo Europeu de Estabilidade ter aprovado esta segunda-feira no Luxemburgo a subtranche de 2 mil milhões de euros no âmbito do resgate à Grécia. Atenas conseguiu a subtranche em atraso, mas o processo de aprovação do pacote de medidas pendentes provocou uma redução da maioria parlamentar da coligação de governo.

Por outro lado, a Standard & Poor’s considerou esta segunda-feira que o plano de recapitalização dos quatro principais bancos gregos só será suficiente para absorver as perdas nos próximos 12 a 18 meses, “sem fornecer uma almofada para uma deterioração de ativos potencial posterior”.

Registou-se, também, um aumento das yields da dívida dos países do centro do euro, com destaque para as obrigações alemãs.

Em termos de prémio de risco da dívida portuguesa, o diferencial no custo de financiamento da dívida portuguesa em relação dívida alemã, baixou para 201 pontos base, o equivalente a uma diferença de 2,01 pontos percentuais. O prémio de risco diminuiu porque o custo de financiamento da dívida alemã a 10 anos no mercado secundário subiu esta segunda-feira cinco pontos base, fechando em 0,53%. O prémio de risco da dívida espanhola baixou cinco pontos base, a maior descida entre os periféricos.

Também o preço dos contratos para cobertura do risco de incumprimento num prazo a 5 anos, que, tecnicamente, são designados por credit default swaps (acrónimo cds), continuou a descer esta segunda-feira. Depois de terem atingido 221 pontos base (o comprador do contrato paga 2,21% do valor a cobrir) a 13 de novembro, um pico neste mês de novembro, desceram esta segunda-feira para 188 pontos base (o comprador do contrato paga 1,88% do valor a cobrir).