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IRS, onde estás?

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Controle as suas faturas, para evitar más surpresas no IRS

d.r.

Com a aproximação do fim do ano, tenha atenção às faturas que possam estar pendentes no portal e-Finanças. Não custa nada desbloqueá-las - e isso pode valer-lhe muitos euros a mais no reembolso do IRS

Pedro Andersson/ SIC

Já percebeu bem as mudanças no IRS este ano? Muitos contribuintes não! Este ano há uma mudança radical na forma de preencher e calcular o IRS e as respetivas deduções. Não sou contabilista, nem conseguiria sê-lo. Por isso, não vou entrar nos detalhes. Mas como jornalista que acompanha a área das finanças pessoais já percebi há muito tempo que o reembolso do IRS é, há muitos anos, uma espécie de subsídio de férias ou de Natal para muitas famílias. Em alguns casos é até o somatório dos dois. Isso pode mudar (e muito) este ano se não tiver certos cuidados.

Nas contas que fiz, há famílias que podem ver diminuir o reembolso em várias centenas de euros (em alguns casos mais de mil euros) só pelo facto de não irem regularmente ao portal e-Fatura corrigir e recatalogar as faturas pendentes ou inseridas incorretamente em setores de atividade errados.

Encontrei nas últimas semanas - e estamos quase em dezembro - várias pessoas que nunca foram ao portal e-Fatura, e, mais grave, nem sequer sabem para que serve e como devem usá-lo a seu favor.

Desde janeiro já surgiram na TV, jornais, rádio e na internet imensas reportagens sobre o assunto. É verdade que a Autoridade Tributária (AT) mandou e-mails sobre o assunto, mas não vi até agora qualquer campanha massiva do Estado a informar e a esclarecer os contribuintes. Pior. Não sei ainda quais são as alternativas da AT para quem não tem acesso a computadores e à internet. Continuo curioso para saber qual vai ser a solução (se houver).

O que fazer e como fazer

Vamos à parte prática: escusa de guardar faturas em papel, porque se não tiverem o seu número de contribuinte (NIF), não vão servir para nada; inserir à mão o seu NIF mais tarde não é aceite pelas Finanças; para ter direito ao máximo de deduções terá de pedir fatura de TUDO com NIF (há que respeitar quem não o quer fazer, mas fica claramente a perder em termos financeiros); vá uma vez por mês ao portal e-Fatura enquanto ainda se lembra a que se referem as faturas (daqui a 3 meses não saberá a que setor pertence a fatura emitida por João Pereira Almeida no valor de €23,45); peça password para os seus filhos e veja se no portal deles as deduções de saúde e educação estão a entrar e nas categorias certas e mexa-se se não estiverem; se se esquecer e as faturas estiverem “pendentes” quando a AT fechar as suas contas, não vai ter direito a essas deduções específicas de saúde e educação (as mais relevantes).

Um caso real

Uma família que no ano passado recebeu 1.000 euros de reembolso, por causa das alterações do coeficiente familiar, deverá receber este ano 1.900 euros. Mas, se não ligar nada ao e-Fatura e não garantir que as despesas estão lá, em vez de receber corre o risco real de ainda pagar mais quase 100 euros de imposto. É uma diferença brutal. E acho que muitos portugueses continuam a não querer ligar ao assunto. Quando receberem a nota de liquidação no ano que vem, voltamos a falar...