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Centros comerciais Dolce Vita vendidos a banco alemão

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O Dolce Vita Porto (foto maior), o Dolce Vita Douro (à esquerda) e o Dolce Vita Coimbra foram vendidos ao Deutsche Bank, que em Portugal já detém o Fórum Madeira, no Funchal. Com taxas de ocupação a rondar os 90%, os três centros comerciais terão sido vendidos por um valor abaixo dos 200 milhões de euros

Americanos da Lone Star vendem três shoppings ao Deutsche Bank, uma operação fechada em tempo recorde

Marisa Antunes

Jornalista

A Lone Star Funds, empresa americana de fundos de private equity, vendeu ao Deutsche Bank três dos quatro centros comerciais Dolce Vita da sua carteira. A alienação do Dolce Vita Porto, Dolce Vita Douro e Dolce Vita Coimbra vem reforçar o portefólio do Deutsche Bank em Portugal, onde já é proprietário do shopping Fórum Madeira, no Funchal, e do edifício de escritórios Office Oriente, no Parque das Nações.

Francisco Horta e Costa, diretor-geral da CBRE Portugal, consultora que liderou o processo em representação da Lone Star, confirmou ao Expresso a venda dos três centros comerciais da insígnia Dolce Vita, acrescentando que, por opção estratégica, ficou de fora nesta operação o Dolce Vita Monumental, que também pertence à Lone Star.

Sublinhando que esta é uma das “maiores transações de centros comerciais dos últimos 10 anos em Portugal”, Francisco Horta e Costa reforçou ainda que este negócio com o Deutsche Asset & Wealth Management (empresa que no Deutsche Bank gere os fundos imobiliários) “é importante para o mercado e vai marcar a tendência para os próximos meses”.

Segundo o responsável, as negociações entre as duas entidades prolongaram-se por três meses e envolveram um grupo restrito com apenas cinco interessados. “Fizemos uma abordagem low-profile junto de algumas entidades que achámos que teriam o perfil ideal para comprar esse portefólio. Se daqui não saísse nenhuma proposta, o passo seguinte seria abrir para o mercado, mas não foi necessário”, contou o diretor-geral da CBRE, escusando-se a referir o valor envolvido na transação. O Expresso apurou, contudo, junto de fontes do mercado, que o valor terá ficado próximo dos €200 milhões.

Recorde-se que, em agosto passado, a Lone Star comprou os quatro Dolce Vita no seguimento da insolvência das empresas imobiliárias do grupo espanhol Chamartín Imobiliária. Na altura, os ativos foram colocados à venda por pouco mais de €40 milhões cada um. A Lone Star era também o maior credor hipotecário das empresas da Chamartín Imobiliária.

Agora, com os três ativos Dolce Vita a serem geridos pelo Deutsche Asset & Wealth Management, a posição do banco alemão no mercado ibérico sai reforçada. Os três shoppings totalizam cerca de 100.000 m2 de área. O Dolce Vita Coimbra tem neste momento 94,5% de ocupação, o Dolce Vita Douro, em Vila Real, está com 85,2% e o Dolce Vita Porto com 93,5%.

Lone Star quer continuar a investir em Portugal

2015 foi um ano fértil em movimentações no universo Dolce Vita. Recorde-se que, logo em janeiro, a Chamartín, juntamente com o ING, anunciava a venda da sua joia da coroa, o Dolce Vita Tejo, considerado o maior centro comercial de Portugal, ao fundo de investimento britânico Eurofund.

Também este ano foi desbloqueado o impasse do Dolce Vita Braga, cuja construção ficou concluída em 2009 mas nunca chegou a ser inaugurado. O centro comercial acabaria por ser entregue à Caixa Geral de Depósitos, o seu maior credor, que já este ano formalizou com a Sonae Sierra a gestão do espaço. O centro, que está a tentar cortar com o passado, já foi rebatizado com o nome de Nova Arcada e vai finalmente abrir portas em 2016 com uma loja Ikea como espaço-âncora além de 96 lojas e 11 salas de cinema.

A venda dos três Dolce Vita que pertenciam à Lone Star fecha, para já, um capítulo no retalho para a empresa americana mas esta pretende continuar muito ativa em Portugal.

O grupo americano tem sido, aliás, protagonista de grandes operações. Recorde-se que este ano, em abril, a Lone Star comprou ao Catalunya Banc, entidade proprietária da Lusort, os ativos imobiliários e a concessão da marina de Vilamoura.

“E o objetivo é continuar a investir em Portugal e em grandes negócios, com dimensão e em vários sectores. A prioridade é que tenha escala”, adiantou Francisco Horta e Costa.

O grupo que gere fundos imobiliários em todo o mundo está neste momento a procurar terrenos em Lisboa para construir de raiz edifícios residenciais e de escritórios.

A escala dos investimentos dos fundos americanos, onde se inclui não só a Lone Star mas também a Blackstone, foi uma das novidades do mercado imobiliário português deste ano, que deverá fechar com valores acima dos dois mil milhões de euros, um máximo histórico em investimento imobiliário.

Os capitais americanos foram os mais representativos, canalizando para o imobiliário comercial nacional mais de €500 milhões só no primeiro semestre deste ano.