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Bolsas mundiais registam ganhos em semana de vaga terrorista

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A capitalização bolsista à escala mundial quase subiu 3% durante a semana. A praça de Nova Iorque destacou-se com ganhos semanais de 3,2%. PSI 20 de Lisboa fecha semana com ganhos de 2,7%. O pior desempenho em novembro está a registar-se na Europa

Apesar da vaga terrorista e do aumento do risco político que lhe está associado, as bolsas mundiais registaram uma semana de ganhos próximos de 3%. O índice bolsista MSCI, abrangendo todos os países, subiu 2,88%.

A praça financeira que se destaca é Nova Iorque, com o índice MSCI para os Estados Unidos (que abrange 637 cotadas em todos os segmentos) a registar ganhos de 3,19%. O pior desempenho verificou-se nos mercados fronteira (uma categoria distinta das economias emergentes, que abrange 23 países incluindo Eslovénia, Estónia e Lituânia na zona euro) com o índice MSCI a cair 0,58%.

As bolsas europeias ficaram próximo do nível mundial. O índice MSCI para a Europa (que abrange 15 países, incluindo Portugal) subiu 2,78% durante a semana, um melhor desempenho do que o índice MSCI para 23 economias emergentes (onde se inclui a Grécia na zona euro) que registou ganhos de 2,73% e do que o índice para 13 economias da Ásia Pacífico que subiu 1,82%. O PSI 20, da Bolsa de Lisboa, ganhou 2,7%, apesar de dois dias consecutivos, quinta e sexta-feira, no vermelho.

Europa com pior desempenho em novembro

Os analistas financeiros referem que as tomadas de posição enérgicas do Banco Central Europeu (BCE) esta semana não foram determinantes no otimismo bolsista.

Recorde-se que as atas da reunião de outubro do BCE, divulgadas esta semana, apontam para uma alta probabilidade na reunião de 3 de dezembro de uma mexida em profundidade na política monetária na zona euro, com a ampliação de estímulos monetários de vários tipos. O presidente Mario Draghi fecharia a semana com chave de ouro, dizendo, pela manhã de sexta-feira, que o BCE “fará tudo o que tiver de fazer para provocar uma subida da inflação o mais rápido possível”. Um tom parecido com o "fará tudo o que for preciso para preservar o euro, e acreditem-me será suficiente", proferido em Londres em julho de 2012, mas que teve menor impacto mediático.

Aliás, na sexta-feira, o índice MSCI para a Europa registou perdas de 0,4%, com as principais praças financeiras da zona euro a fecharem “mistas”, com o índice Dax de Frankfurt a ganhar 0,31%, mas os índices Aex de Amesterdão, Cac 40 de Paris, Mib de Milão e Ibex 35 de Madrid a fecharem no vermelho.

Quanto ao desenrolar do mês de novembro, o pior desempenho está a registar-se na Europa, com o índice MSCI a cair 1,89%, e o melhor desempenho verifica-se nos EUA com o índice MSCI respetivo a ganhar 0,46%. Os EUA são a única região com ganhos em novembro e também desde início do ano (o índice subiu 1,47%).

À escala mundial, as bolsas registam uma perda de 0,21% em novembro, até à data, e caíram 1,61% desde início do ano. O pior desempenho desde início do ano verifica-se com o índice MSCI para as 23 economias consideradas mercados fronteira que se afundou 13,9%, logo seguido do índice MSCI para 23 economias emergentes que caiu 11,8%.

Banco central norte-americano diz que avisou com tempo

As bolsas nova-iorquinas não se perturbaram nem com a vaga terrorista recente em Paris e em outras partes do mundo nem com a probabilidade cada vez mais elevada da Reserva Federal norte-americana (Fed), o banco central, iniciar o processo de subida das taxas de juro na próxima reunião de 16 de dezembro.

Depois de flutuações ao longo da semana, a probabilidade da decisão acontecer em dezembro subiu para 74% no fecho de sexta-feira para os futuros das taxas de juro no observatório da CME. Esta empresa calcula a probabilidade implícita para uma tal decisão nas próximas reuniões da Fed em função da evolução daqueles futuros. Apesar das atas da reunião de outubro da Fed, divulgadas esta semana, deixarem margem de manobra para uma decisão em função dos dados concretos na ocasião, a intenção manifestada é claramente proceder ao início da subida do intervalo em que variam as taxas de juro (que está em mínimos perto de 0% desde dezembro de 2008) ainda este ano.

Na sexta-feira, o vice-presidente da Fed declarou que o banco central norte-americano fez tudo, do ponto de vista comunicacional, para que os bancos centrais, particularmente nas economias emergentes, se preparassem, com tempo, para essa subida das taxas de juro. Stanley Fisher sublinhou que a Fed fez tudo para retirar a carga de “surpresa” disruptiva a uma tal decisão, se for tomada em dezembro. E a Fed garante que o processo será gradual. Numa reunião de emergência na próxima segunda-feira, a Fed aumentará a taxa de desconto, a taxa de juro aplicada aos empréstimos pedidos pela banca norte-americana junto dos bancos da Reserva Federal regionais.

Preços das matérias-primas continuam em queda livre

Mas as linhas de força à escala mundial não se alteraram apesar do otimismo bolsista da última semana. Os dados do comércio internacional continuam a apontar para duas tendências: a quebra de preços das matérias-primas (com impacto principal nas economias emergentes e desenvolvidas que são exportadoras líquidas de commodities e, em geral, provocando um processo de desinflação “importada” em todas as economias empurrando a inflação para mínimos ou mesmo para níveis negativos) e o recuo claro na procura mundial de matérias-primas.

Os índices para a evolução dos preços de commodities registaram quedas na semana que findou e continuam a revelar uma quebra importante em novembro e desde início do ano. O índice da Bloomberg caiu 1,26% durante a semana; acumula uma quebra de 7,1% em novembro e de 21,95% desde início do ano. No caso do S&P GSCI, a quebra é de 0,52% na semana, de 8,55% em novembro e de 26,2% desde início do ano. Quanto ao CRB da Reuters, as quedas são de 0,56% durante a semana que findou, 6,07% em novembro e 20,1% desde início do ano.

O volume de transporte de matérias-primas nas 23 principais rotas marítimas do mundo continua em queda. O índice Baltic Dry (apesar da designação não se restringe às rotas no Báltico) caiu 11,58% durante a semana, 30,1% em novembro até à data, e 35,55% desde início do ano.

  • Segundo as atas da reunião de outubro da Reserva Federal norte-americana divulgadas esta quarta-feira, uma "maioria" dos participantes no comité de política monetária antecipou que as condições para uma subida das taxas de juro poderão estar reunidas daqui a um mês. Mas as opções continuam em aberto