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Mota-Engil aceita vender pelo menos 40% da Ascendi

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A Mota-Engil está disponível para vender, pelo menos, 40%, da Ascendi, de acordo com as informações transmitidas ontem aos analistas na conference call de apresentação dos resultados trimestrais. O grupo detém 60% da Ascendi, partilhando o capital com o Novo Banco.

Esta posição traduz uma evolução sensível face à posição inicial do grupo que pretendia manter uma posição equiparada à do parceiro que comprasse a posição do Novo Banco na empresa de concessões. No primeiro cenário, a Mota-Engil admitia vender um bloco de 20% da Ascendi Group. Mas, os dois blocos não poderiam ser comprados pelos mesmo investidor, evitando uma posição de controlo.

Contactada pelo Expresso, a Mota Engil respondeu "que o cenário atual em que a administração trabalha é de vender 40% dos 60%" que detém. Neste momento "mais nenhum cenário está em cima da mesa".

Analistas que participaram na conferência disseram ao Expresso terem ficado com a ideia de que, no limite, o grupo poderia vender a totalidade da participação, dependendo da resposta do mercado.

Para o conglomerado da família Mota, a aposta nas concessões deixa de fazer sentido no momento em que o negócio assume um caráter meramente financeiro, deixando de impulsionar o negócio da construção.

O bloco de 60% na Ascendi está avaliado pelas casas de investimento em valores muito díspares, oscilando no intervalo entre os 190 e 340 milhões de euros. O encaixe da venda de 40% ( ou mais) na Ascendi permite , tal como sucedeu com a receita (275 milhões) das empresas do segmento portuário e de logística, abater a dívida do conglomerado que supera os 1,5 mil milhões de euros.

Controlo estrangeiro

O Novo Banco contava resolver a operação Ascendi até ao fim do ano, mas o processo, coordenado pelo Haitong Bank (ex-Besi) só estará concluído no início de 2016.

Entre os potenciais interessados estarão fundos internacionais, em especial o gigante francês Ardian, que em Junho aplicou 300 milhões na compra de posições em cinco concessões rodoviárias da Ascendi. Mas, só em dezembro a Haitong terá uma short list de candidatos que apresentarão em janeiro propostas firmes.

De seguro, apenas que a Ascendi será mais um grupo relevante da economia portuguesa a transferir-se para controlo estrangeiro, tal como sucedera com a Tertir. Além da Lusoponte e nove concessões de autoestradas em Portugal, a Ascendi participa em concessões em Espanha (duas), México, Brasil e Moçambique (Estradas do Zambeze).