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REN “fecha torneira” ao investimento em cavernas de gás

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Orçamento de investimento da REN para o sector do gás natural levou um corte de 38%, que impedirá a construção da oitava caverna de armazenamento em Portugal

O plano de investimentos que estará disponível para o novo presidente da Redes Energéticas Nacionais (REN), Rodrigo Costa, assegurar a gestão da empresa concessionária das redes de gás e eletricidade admite um corte de 38% ao sector do gás natural, o que remeterá as infraestruturas deste sector para um nível de desenvolvimento mínimo entre 2016 e 2018.

Em termos práticos, significa que os acionistas da REN preferem dar prioridade à construção da terceira interligação do gasoduto com Espanha, que ligará o tubo de gás de Celorico a Zamora, mas vão adiar o investimento no aumento da capacidade de armazenamento em Portugal. Assim, a oitava caverna de sal, que seria construída para aumentar o armazenamento de gás natural em território português, ficará adiada.

Este novo plano de investimentos da REN - que abrange um período que vai de 2016 a 2025 - resulta de uma estrutura acionista em que os chineses da State Grid têm uma posição preponderante, mas que não é maioritária, e estará aberto à consulta pública no prazo do próximos 30 dias. Fontes da REN referem que esta decisão de redução do orçamento não está relacionada com imposições feitas pelos acionistas chineses. No entanto, o Expresso sabe que a State Grid chinesa deu preferência ao investimento na terceira interligação do gasoduto a Espanha.

Os cenários deste plano de investimento são orientados pelos últimos dados sobre a evolução do consumo de gás e sobre os níveis desejáveis para manter a segurança no abastecimento, explicitados pela DGEG.

O plano da REN contempla para já um esforço financeiro de 198 milhões de euros. Deste “bolo”, haverá 149 milhões de euros que serão aplicados até 2018.

O remanescente - 203 milhões de euros -, será destinado a projetos que serão desenvolvidos depois de 2017, e que ainda terão de ser submetidos à apreciação da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) e, igualmente, à aceitação estratégica do Governo português.

A parte mais contrastante com o plano anterior diz respeito ao corte nos investimentos no sector do gás natural, pois os valores contemplados (menos 38%) não permitirão concluir a oitava caverna de gás natural (que seria a quinta construída pela REN, a que acrescem as três adquiridas à Galp).

A segurança estratégica de abastecimento de gás natural é um dos projetos mais relevantes que a REN pretendia desenvolver, pois, com oito cavernas de armazenamento operacionais, a REN poderia aumentar o nível de utilização do terminal portuário de regaseificação de gás natural em Sines, e dotaria Portugal de uma infraestrutura de armazenamento que facilitava a arbitragem de trocas de gás com zonas geográficas onde esta energia é mais valorizada.

O armazenamento de gás natural é sobretudo relevante no período do Inverno, onde os consumos aumentam significaticamente.