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Dívida. Espanha e França colocam €11,5 mil milhões e pagam menos juros

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O Tesouro espanhol e a Agência Francesa do Tesouro foram esta quinta-feira ao mercado. Emitiram dívida de 3 a 7 anos. A 3 anos, a França pagou uma taxa ainda mais negativa do que em emissão anterior similar

Jorge Nascimento Rodrigues

Espanha e França foram esta quinta-feira ao mercado primário de dívida colocar obrigações entre 3 a 7 anos e em todos os leilões pagaram taxas médias de remuneração mais baixas do que em operações similares anteriores. No conjunto, colocaram 11,5 mil milhões de euros, com o Tesouro espanhol a emitir dívida a 3 e a 5 anos num montante de 3,5 mil milhões de euros e a Agência Francesa do Tesouro a colocar quase 8 mil milhões de euros em obrigações a 3, a 5 e a 7 anos.

Na emissão a 3 anos, a França colocou 2900 milhões de euros pagando uma taxa média negativa de -0,25%, mais agravada do que -0,15% em emissão similar anterior. A agência francesa emitiu ainda obrigações indexadas à inflação da zona euro colocando 1,4 mil milhões de euros em prazos a 9, 12 e 17 anos, pagando em todos eles taxas médias de remuneração negativas.

Recorde-se que, na quarta-feira, o Tesouro alemão, através do Bundesbank (banco central germânico), colocou cerca de 4,4 mil milhões de euros em dívida a 2 anos com os investidores a “pagarem” ainda mais para deter essas obrigações designadas por Schatz. No leilão, a agência financeira alemã conseguiu colocar as obrigações com uma remuneração de -0,38%, ainda em terreno mais negativo do que a taxa de -0,26% registada na operação similar anterior. Fixou um novo recorde em taxas negativas a 2 anos.

Taxas negativas – como ocorreu com a Alemanha em obrigações a 2 anos ou com a França a 3 anos - significam que os investidores se dispõem a adquirir dívida pública (seja em bilhetes do Tesouro seja em obrigações) para as suas carteiras "pagando" aos emissores (os estados) para a deter, em vez de receber qualquer taxa de remuneração nominal.

Em colocações a curto prazo, em Bilhetes do Tesouro, na quarta-feira, o IGCP, a agência de gestão da dívida portuguesa, emitiu dívida a 6 e 12 meses pagando também taxas médias ponderadas negativas de -0,018% e -0,006% respetivamente.

  • Nos dois principais leilões de dívida na Europa desta quarta-feira, o contraste é evidente. O Reino Unido aumentou a taxa de remuneração para colocar as suas Gilts a 10 anos, mas os investidores “pagaram” ainda mais para deter obrigações alemãs a 2 anos