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Leilões de Obrigações. Títulos alemães são refúgio

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Nos dois principais leilões de dívida na Europa desta quarta-feira, o contraste é evidente. O Reino Unido aumentou a taxa de remuneração para colocar as suas Gilts a 10 anos, mas os investidores “pagaram” ainda mais para deter obrigações alemãs a 2 anos

Jorge Nascimento Rodrigues

O contraste ficou claro nos leilões de dívida obrigacionista realizados esta manhã de quarta-feira na Europa. Em Londres, o Tesouro britânico pagou mais em taxa de remuneração aos investidores numa colocação de dívida a 10 anos; mas em Frankfurt, a Agência Financeira alemã emitiu obrigações a 2 anos conseguindo uma taxa ainda mais negativa do que na operação similar anterior, fixando novo recorde.

Em colocações a curto prazo, em Bilhetes do Tesouro, na mesma altura, o IGCP, a agência de gestão da dívida portuguesa, emitia dívida a 6 e 12 meses pagando também taxas médias ponderadas negativas de -0,018% e -0,006% respetivamente.

Taxas negativas significam que os investidores se dispõem a adquirir dívida pública (seja em bilhetes do Tesouro seja em obrigações) para as suas carteiras "pagando" aos emissores (os estados) para a deter, em vez de receber qualquer taxa de remuneração nominal. No caso das obrigações alemãs são consideradas ativos de "refúgio".

Recorde-se que, na zona euro, há a expetativa do Banco Central Europeu, na sua próxima reunião de 3 de dezembro, fixar um limite ainda mais negativo (do que os atuais -0,2% que servem de referência a partir da taxa de remuneração dos depósitos bancários nos cofres do banco central) para a aquisição de dívida pública obrigacionista com um prazo de 2 anos até 30 que registe taxas negativas de remuneração. As obrigações alemãs de 2 a 4 anos registam no mercado secundário yields ainda mais negativas do que -0,2%.

O Tesouro alemão, através do Bundesbank (banco central germânico), colocou esta quarta-feira cerca de 4,4 mil milhões de euros em dívida a 2 anos com os investidores a “pagarem” ainda mais para deter essas obrigações designadas por Schatz. No leilão, a agência financeira alemã conseguiu colocar as obrigações com uma remuneração de -0,38%, ainda em terreno mais negativo do que a taxa de -0,26% registada na operação similar anterior. Fixou um novo recorde em taxas negativas a 2 anos.

Pelo contrário, o Tesouro britânico teve de pagar uma taxa de remuneração média de 1,94% numa emissão de Gilts (designação das obrigações) a 10 anos, face a uma taxa de 1,82% em operação similar anterior.